02 agosto 2008

"Viagem ao Centro da Terra" em 3D - o filme

De cara vale comentar que infelizmente não vi uma cópia em 3D. A que foi parar no cinema em que assisti (mais uma promoção, estou virando um caçador delas), era em 2D. Bem, eu nunca me dei bem com aqueles óculos coloridos mesmo... Mas vamos ao filme. É uma grande Sessão da Tarde, sejamos francos. Desde que enganaram o Brendan Frasier, dizendo que ele seria o novo Indiana Jones dos anos 2000 (já são 4 filmes onde ele é o tal do Rick O' Connell, haja múmia!), ele tem se aventurado por tudo que é tipo de papel mais... "Aventuresco". Tá, ele fez "Crash" também, mas alguém lembra? Que pena, gostei dele em "Endiabrado"... Se bem que o ponto alto era a Liz Hurley, adoro aquele sotaque inglês... Bem, voltemos ao filme. Se você não gosta de spoilers, pule para outro post.
A história começa citando que o irmão dele (no filme) é um verniano, e como todo verniano, acredita que os escritos de Júlio Verne são baseados em fatos científicos, não em fatos da sua própria imaginação. Ou seja, o irmão do Trevor Anderson (o personagem do Brendan Frasier) resolve ir até o Snaefells, na Islândia, para ver se acha a passagem para a Terra-Média, ops, o centro da terra (o Scartaris, propriamente dito). O irmão some, óbvio. Ele (geólogo) vai com o sobrinho de 13 anos (o filho do metido a explorador) buscar pistas para saber do paradeiro do irmão. Como ele é geólogo, aproveita e vai coletar informações geradas por um conjunto de sensores sísmicos que estão espalhados pela região (mas ele só mexe em um!), já que ocorreram "fenômenos interessantes" naquela região. Daí, vai ele e o sobrinho para a terra-de-ninguém, acompanhado com uma guia (uma lourinha muito da bonita, que eu tive a impressão de conhecer de outro lugar) procurar. Acabam entrando numa caverna, acham uma mina, caem... E por aí vai, refazem o percurso pelo Centro da Terra até o Vesúvio, na Sicília.
Em termos de efeitos especiais, muito bacana: Monstros na água, peixes pré-históricos, um T-Rex (todo mundo gosta desse lagartão), as pedras que flutuam no campo eletromagnético, essas coisas. Em termos de história... Não tem muita coisa mesmo. Um bocado de clichês espalhados, desde a busca pelo irmão tido como doido, por parte de um pesquisador ameaçado de despejo, até o beijo na mocinha, no final. Em resumo, é filme para ver e desligar o cérebro, curtir e relembrar o livro ao vê-lo. Há vários "cortes" e erros em relação ao livro original. Lá vai a lista:
  • No livro, Lindebrook, Axel e Hans (lembrei do nome do ajudante!) caminham MUITO, e a travessia leva pelo menos mais do que um mês. Eles fazem a mesma travessia em um fim de semana, três dias no máximo.
  • Eles escaparam pelo Stromboli, numa ilhota na Sicília (no livro). Mas no filme, eles escapam pelo Vesúvio. Hein?
  • Eles caem em direção ao centro da Terra durante muito tempo, e a queda é amortecida por uma lâmina d'água. Lembremos que a velocidade-limite de queda é de 200 km/h, e pela profundidade do buraco onde caíram, tinha mais do que espaço para atingir essa velocidade. Daí, caem na água, e mergulham apenas uns 3 metros. Fala sério, na velocidade em que eles caíram, dava para afundar MUITO mais do que aquilo, por mais do que houvesse a resistência da água, entre outras coisas.
  • Não lembro se tem um papo no livro da "bolha de ar" onde eles chegaram atingir altas temperaturas de tempos em tempos. Também não lembro do gêiser, mas... Também não haviam Tyranossaurus Rex por lá.
A fuga é semelhante ao livro. Sim, eles acham o pai do garoto. Tem monstros marinhos, atravessam o oceano com uma jangada... Muitas informações parecidas e outras desencontradas. Assisti dublado, a cópia estava muito boa, e a dublagem, ótima como sempre. Vale pela diversão, principalmente se você puder pagar POUCO pelo filme. Se puder, ótimo. Se não puder, espere sair em DVD, e alugue. É divertido e rapidamente esquecível, afinal, tem tantas versões para cinema desse livro...

PS: Ah, a guia? Eu descobri daonde lembrava dela: Especial de Natal de 2005 do Doctor Who. Se bem que loura na Europa é (quase) tudo igual...

PS 2: Acabo de descobrir que o Frasier estará no filme dos G. I. Joe, e ele será o Gung-Ho. Será quie ele estraga o filme? Bem, teremos Christopher Eccleston (o 9o Doutor) como Destro, para contrabalançar. Veremos.

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01 agosto 2008

"Viagem ao Centro da Terra"

Júlio Verne era um escritor de ficção científica, antes mesmo que o termo tivesse sido cunhado. Seus livros marcaram várias gerações, e eu mesmo comecei a gostar do gênero lendo "20.000 Léguas Submarinas", ao mesmo tempo em que assisti aos 8 anos, "2001: Uma Odisséia no Espaço" (não entendi nada, mas vá lá!). Depois veio "Guerra nas Estrelas" (na estréia da Rede Manchete), "Jornada nas Estrelas" (minha paixão), "Doctor Who" e tantos outros.
Mas o lado aventuresco do Verne não poderia ter sido deixado de lado por mim, e o primeiro desses que eu li foi "A Volta Ao Mundo em 80 Dias", que Phileas Fogg e seu assistente (em um dos primeiros, a dupla era David Niven e o Cantinflas. Depois veio o Jackie Chan) viajavam todo o planeta em exatos 2 meses e 20 dias. Fantástico!

Já "Viagem Ao Centro Da Terra" foi um que sempre me interessou, mas só li mais velho. Uma namorada comprou na Livraria Leonardo da Vinci, no centro do Rio, um livro de bolso da Penguin Books. Esses são pocket books que são vendidos pelo preço de uma libra esterlina (ao menos eram, não sei como está agora, na era do euro). São na sua maioria textos sobre os quais não incidem custos de produção, por serem livros bem antigos. Algumas editoras fazem isso no Brasil, e em vários lugares você encontra esse tipo de "literatura universal" disponível, inclusive na Internet. O melhor exemplo é o Projeto Gutemberg, que conheço há anos e acho seu trabalho fantástico.

Então, ela me presenteou com "Drácula", de Bram Stoker. Eu olhei, agradeci, meio que sem jeito. Perguntei depois se ela ficaria ofendida se eu trocasse o livro. Ela alegou que era "uma história de amor", e realmente é. Um tanto quanto bizarra, para o meu gosto. Mas era. E ela aceitou. Voltei à da Vinci, e troquei o livro, peguei "Viagem Ao Centro Da Terra", do grande Júlio Verne.

Estava também motivado porque estava começando a ouvir rock progressivo, e tinha lido numa coluna do C@T (Carlos Alberto Teixeira), em O Globo, sobre o livro, sobre o disco de DUAS faixas do Rick Wakeman (Journey to the Center of the Earth), e da aventura que ele fez, indo à Islândia, só para conhecer o vulcão extinto Snaefells, onde, segundo o livro, havia três "chaminés" (o Scartaris), por onde o pesquisador Otto Lindenbrook, seu sobrinho Axel e um ajudante (que esqueci o nome) entraram e fizeram uma viagem fantástica, saindo por uma erupção no monte Stromboli, numa ilhota próxima à Sicília, na Itália. O livro é tão marcante, que existem vários filmes feitos em cima dele. Eu lembro de pelo menos 4 deles, mas numa olhada no IMDb, achei 12 referências, incluindo o mais recente. Tem séries de TV, filmes para TV, e para o cinema, fora videogames.

Rick Wakeman criou um segundo trabalho, chamado "Return to the Center of the Earth", onde, no século XXI, um grupo de pesquisadores resolvem fazer o mesmo percurso de Lindenbrook, e é uma grande aventura. O disco é particularmente interessantíssimo, por um detalhe: Nas faixas ímpares, são uma narrativa do texto, feita por nada mais, nada menos do que Patrick Stewart (Jean-Luc Picard, de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração; professor Charles Xavier, dos X-Men, entre outros), e você pode acompanhar pelo (grosso) encarte. É um audiobook. Nas faixas pares, é música, e cantada por diversos músicos convidados. Lembro-me de uma, em que quem canta a faixa 4 (acho), chamada "Buried Alive", é o Ozzy Osbourne. Se você quer ouvir a música, basta ouvir as pares. Se quer ouvir o livro, ouça as ímpares. Se quer os dois, fique "solto". Fantástico!

Claro, minha motivação de falar do livro é para falar do filme, que assisti ontem. Mas esse eu falo no próximo post.

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