Relatos de Campus Party - quarto dia

Na área de exposições da Campus Party havia vários estandes, e alguns locais para exposições relacionadas. Por isso vocês podem ver aí embaixo fotos de itens relacionados, como o carro movido a bateria de nobreaks, o relógio movido a água e um sapo (da @agenciafrog) usando um notebook. O Dante foi assistir uma palestra (depois de ter tentado comer um Cup Noodles de graça - e não conseguiu), e acabamos nos desencontrando dele. Nisso eu já tinha ido lá dentro, colocado o netbook para continuar fazendo downloads - e tentar fechar o que ficou pendente.


Filmei boa parte da coletiva, na medida com que era possível, já que a câmera trepidava, eu estava sem tripé, a iluminação não ajudava... E eu cansava. Fiz várias fotos desse sujeito simpaticão, pouco mais novo do que meu pai (60 anos), e com um iPod nano no pulso (direito). Ainda filmei... E consegui fazer a pergunta! Quase não pude, já que quando pedi o microfone, a moça que conduzia a entrevista disse que não podia. Mas houve espaço para mais duas, e eu perguntei a ele sobre o que ele mudaria no projeto original do Apple II.
Para a maioria dos jornalistas especializados (ou não), essa pergunta não era relevante. Afinal das contas, eles queriam perguntar da saúde de Steve Jobs (Woz não falou nada que não sabemos), sobre o iPad, sobre a Apple... Só que ele saiu da Apple em 1987, ele não trabalha mais lá há quase 25 anos! Caramba... O Rigues perguntou sobre o que ele acha de uma afirmação no blog dos desenvolvedores do Android, que dizem que os fabricantes terão que tomar uma posição: Ou fecham o aparelho completamente, ou permitem que o usuário faça o que quiser com ele. Woz saiu bem pela tangente, quase perpendicular, e não respondeu à pergunta.
Quanto a resposta à minha pergunta, ele falou sobre o uso do Microsoft BASIC (ele queria evitar o fato), sobre colocar unidade de ponto flutuante no Apple II, e o mais só vendo o vídeo. Eu estava emocionado por um dos heróis da minha geração estar ali, respondendo uma pergunta minha. O Tabajara teria infartado do coração com o fato. No final da coletiva, Woz sai pela lateral, rapidamente, e todos nós com o livro na mão, esperando a assinatura. A Babs, do Garotas Geeks, trouxe um Mac Classic II para ser autografado. Não foi, mas foi o alvo das câmeras dos jornalistas presentes. Bem... Fica para o final.
De Campus Party 2011 |
Acaba a coletiva, vamos de volta para área dos campuseiros, Rigues vai ver como está a Elaine, e eu vou me enfiar no meio da molecada que quer ouvir o Woz (mas não faz a menor ideia do que ele fez na Apple). A aglomeração é grande, e fica díficil fazer fotos. Mesmo assim consegui registrar algumas da palestra, além de vê-lo chegando, tal qual estrela do rock, até o palco principal. Nisso, o Fernando Valente, da Chiaro Software está com um MacBook aberto, e na tela escrito: "Woz, I wanna talk with you :-)". Ele manteve o MacBook sobre a cabeça, aberto para que Steve Wozniak visse e, quem sabe, chamasse-o para falar. Acabei papeando e revezando com ele para segurar o notebook.
Ravazzi liga. Ele tinha ido tentar tomar uma água na sala VIP de dentro da área dos campuseiros, mas fora barrado pelo segurança, já que a sessão de assinaturas do Woz seria ali. Ele me telefona, e saio da palestra correndo para a fila, que estava se formando. Perco a maior parte da palestra do homem, fico na fila e conheço algumas pessoas muito simpáticas, como um jornalista que disse-me que a minha pergunta foi a mais pertinente de todas (Ricardo Bánffy) e um fã de Apple II, que trazia um mouse de Apple IIgs para que o Woz autografasse. Conversa vai, conversa vem... Mais de uma hora na espera.
De repente, alguém do apoio nos retiram da fila, sob a alegação de que já que somos da imprensa credenciada, poderíamos tirar fotos do Wozniak autografando livros: "Mas vocês não podem pedir autógrafo dele. Fã é fã, e imprensa é imprensa". Discordamos prontamente, e o Bánffy respondeu de maneira exemplar: "Esse homem é meu herói desde os 10 anos de idade, eu sou fã dele. Não saio daqui sem o autógrafo dele, mesmo sendo imprensa". Argumentei que as fotos dele já tinham sido feitas na coletiva de imprensa, só queria ser fotografado com ele, e o autógrafo. Conclusão... Pedido de desculpas a nós e voltamos para a fila. Fila que, aliás, estava bem desorganizada: Ela estava próxima a um bebedouro, e os seguranças ainda mandaram aproximá-la do móvel. Ou seja, veio gente com a desculpa de irem beber água, e ali ficaram, mesmo debaixo de protestos. Ainda houve a restrição de apenas um item seria autografado pelo Woz (para que a fila andasse), mas não foi muito observada pelas pessoas que entraram com 3, 4 MacBooks debaixo do braço. No final, ainda foi formada uma segunda fila, dos dinamizadores (a equipe de apoio da Campus Party), e por pouco não ficamos parados, esperando que todos eles entrassem e recebessem seus autógrafos, para depois sermos atendidos: Debaixo de protestos, o apoio teve a brilhante idéia de misturar a fila, subindo algumas pessoas de cada uma das duas filas. E assim se fez.
As curiosidades do cartão de visitas do Wozniak consistem em que:
- Ele não dá esse cartão a qualquer um. Pelo contrário, ele só entrega esse cartão a quem ele considera interessante.
- O cartão é feito de lâmina de aço, com alguns desenhos feitos a laser, e perfurações também.
- O cartão traz o nome, email, endereço e número de telefone do Wozniak.
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Ajoelhe-se aos meus pés, filho de Jor-El! |
Dali, o que sobrou? Foi procurar os amigos na fila. Rafael Rigues, infelizmente, ainda estava no meio da fila. Ele foi para a sala VIP. Mas a sala do lado de fora, na área de exposições. O rapaz do mouse de Apple IIgs disse que o Woz se emocionou quando viu a procedência do mouse, assinou e parabenizou-o por ter esse micro. O Bánffy conseguiu 2 autógrafos: Um na sua edição da autobiografia, e outro na edição da autobiografia que ele vai dar ao filho dele de presente. Teve gente descendo com iMac autografado, outros com Macbooks... O que é meio burrice, já que você vai vender depois o notebook, e vais fazer o que com o autógrafo? Pedir mais caro? Bem fez a Babs, que conseguiu o autógrafo dele (finalmente) no seu Mac Classic II.

E com isso fecha a Campus Party para mim. Com o sentimento do dever cumprido, despedi-me de quem ainda estava por lá (Jurandir e Maurício, do RapaduraCast, por exemplo), e segui rumo ao microônibus, despedindo-me da minha primeira Campus Party, rumo ao metrô e depois, no Esfiha Chic, para comer com os amigos MSXzeiros que lá estavam (Piter Punk, Raimundo e sua namorada, Adriana), e os que depois chegaram (Rigues e Elaine, José Luiz e Marluce). Rendeu uma boa conversa, muitos risos, e o retorno, tarde da noite ao hotel.

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