19 fevereiro 2018

Sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro

Há uma razão pela qual você separa os militares e a polícia. Um luta contra os inimigos do Estado, o outro serve e protege a população. Quando os militares se tornam ambos, então os inimigos do estado tendem a se tornar a população.

Comandante William Adama (Battlestar Galactica)

Militares também moram em comunidades, também podem ser corrompidos, também podem traficar armas para bandidos, também não estão satisfeitos com essa iniciativa do "desgoverno" federal... E eu já falei em venda de armas para bandidos? E pior, militares não são preparados para lidar com a violência urbana. Num Carnaval onde os índices de violência caíram (e não sou eu que digo, é o jornal Estado de São Paulo), bastou ocorrer arrastões no Leblon (bairro da classe muito alta carioca) para que víssemos esse circo.

Você sabe que algo está errado quando você lê o editorial do Estado de São Paulo (que é um jornal extremamente conservador), lê o jornalismo independente, alguns blogs de viés progressista... E todos dizem a mesma coisa, que essa intervenção não tem o menor sentido.

O Rio de Janeiro não está entre as 30 cidades mais violentas do país. Aliás, eu me assustei quando encontrei Fortaleza (Ceará) no meio da lista. É a capital com mais homicídios do país. E em nenhuma listagem, o Rio de Janeiro aparece entre as cinco, ou as dez capitais mais violentas do país. Se quiser saber mais, o Atlas da Violência 2017 está disponível aqui.

Voltando à intervenção, o pior é que eu duvido que esses dez meses vão dar em alguma coisa. Ao invés de investir nas Polícias Civil e Militar, em educação e nas comunidades em si, quem desgoverna está mais interessado em espetáculos midiaticos, para aparecer bem no Jornal Nacional (que ninguém vê). E não sou só eu que vejo isso como uma manobra do desgoverno, apenas. O Le Monde acha isto, o The Guardian também acha.

E quem vai sofrer mesmo é o pobre, o miserável, o morador de favela, aquele que já é sacaneado dia e noite por uma polícia violenta, corrupta e truculenta... Agora será por militares também.

E já que você veio até aqui, gasta uns minutos e veja esse vídeo. A entrevistada é uma professora da UFF, que pesquisa segurança pública. Ela entende mais disso do que eu.


E eu, que tinha esperança para 2018... Continuo tendo esperança. Mas está difícil.

PS: Aos poucos vou retomar o blog.

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13 fevereiro 2014

Filosofações: Sobre impostos no Brasil

Fiquei matutando sobre o problema do Brasil quanto aos impostos. Confesso que nunca parei muito para pensar nisso, e concluí que nós pagamos muitos impostos para o pouco de retorno que temos, em termos de serviços públicos. Isso é o que revolta a todos. Não é que pagamos muitos impostos. Nós pagamos muito para o pouco que temos em retorno. Novamente, isto é revoltante. E afeta todas as esferas governamentais. Muitos tem a mania de apenas culpar o Governo Federal, mas a maior discrepância (o ICMS) é um imposto estadual.


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25 dezembro 2013

F-X2: Perguntas, respostas, opiniões... Parte 6: O Saab JAS-39 Gripen (e o NG)

Quando ouvi falar pela primeira vez do Saab Gripen, eu era um pré-adolescente leitor da coleção "Aviões de Guerra", e o novo caça da Saab era um protótipo. A Saab sueca desenvolveu a espinha dorsal da aviação de caça da Suécia, primeiro com os Saab Drakken (asa em duplo delta e quase 50 anos em operação), depois com os Saab Viggen (asa em delta com canards imensos). Logo, o Gripen é o terceiro da "linhagem", e comercialmente o mais bem-sucedido.

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24 dezembro 2013

F-X2: Perguntas, respostas, opiniões... Parte 5: O Boeing (McDonnell Douglas) F/A-18E/F Super Hornet.

Ah, o F/A-18E/F Super Hornet... Haja codinome, não? O "Vespão" é um tremendo de um caça, talvez o primeiro caça multi-função da história. Sempre achei ele espetacular. De todos os que falei, talvez seja o caça de projeto mais antigo, mas não quer dizer que seja menos eficiente ou letal. O F/A-18, produzido pela McDonnell Douglas (posteriormente comprada pela Boeing) é um avião que faz o papel de caça e de ataque ao solo (Fighter e Attack).

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23 dezembro 2013

F-X2: Perguntas, respostas, opiniões... Parte 4: O Dassault Rafale.


O Rafale já voava em protótipo quando comecei a ler sobre aviação militar, lá nos anos 1980. A França, depois de um longo tempo, resolveu substituir os Dassault Mirage III/V/2000 da sua Força Aérea, e optou pelo Rafale, da mesma Dassault. Ele é um caça de asa em delta (paixão dos franceses, pelo visto), canards (aquelas asinhas na frente, perto do piloto), e é considerado um caça de geração 4,5. Ele tem uma versão feita para operar em porta-aviões.

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22 dezembro 2013

F-X2: Perguntas, respostas, opiniões... Parte 3 - O projetos PAK-FA T-50, FS-2020 e nós.

Alguns defensores do Sukhoi Su-35 lembram que os russos sinalizaram que o Brasil poderia participar do programa Sukhoi T-50 (projeto PAK FA), segundo algumas fontes.


Para quem não o conhece, o Sukhoi T-50 PAK FA é um caça de 5a geração desenvolvido pela Sukhoi e pela Hindustan Aeronautics Limited (HAL), indiana. O que foi dito é que a Embraer entraria no projeto, assim como a Avibrás. Em 2008, segundo o ministro da Defesa, Nélson Jobim, "O Brasil está oficialmente fora do projeto PAK-FA". O Comandante da Força Áerea Brasileira, Juniti Saito, justificou: "Não quero denegrir a imagem do Sukhoi, mas o projeto não se encaixou nas nossas necessidades." A FAB alega que havia falta de comprometimento dos russos em repassar tecnologia, mas o Itamaraty e fontes russas falaram o contrário: Comprar os Su-35 não só resultaria na transferência de tecnologia, como também incluiria o Brasil no desenvolvimento do projeto PAK FA.

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21 dezembro 2013

F-X2: perguntas e respostas, opiniões... Parte 2 - o Sukhoi Su-35.

Muito se falou que a melhor opção de todas era o Sukhoi Su-35 (codinome Flanker-E, segundo a OTAN). Ele é um caça de geração 4++, e o seu primeiro vôo foi em fevereiro de 2008. Ele é um caça de ataque e superioridade aérea pesado, de longo alcance e multi-função. Aliás, é padrão hoje em dia caças multi-função. Por mais difícil que seja fazer um caça desses, os custos baixam no uso, e na hora de vôo.

Vale lembrar que originalmente ele é um derivado do Su-27 (Flanker), que voa desde os anos 1980, mas tem origem em projetos do final dos anos 1960 (sim, em aviação de defesa as coisas são lentas). Dali, teríamos o Su-27M e depois o Su-35 (esse é que voou em 2008).

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20 dezembro 2013

F-X2: Perguntas, respostas, opiniões... Parte 1 - Introdução

Então, os Saab Gripen venceram a concorrência F-X2, do governo brasileiro, a respeito do novo caça que irá equipar a nossa Força Aérea. Em um total de US$ 4,5 bilhões, 36 caças Gripen NG serão adquiridos para formar 3 esquadrões (acho), e o pacote contempla não só a aquisição, mas todo um conjunto de ações, como treinamento, desenvolvimento em parceria, montagem de peças no Brasil, produção local e exportação para a América do Sul, inclusive.

Eu sou um curioso em aviação de defesa desde a minha infância. Aliás, leio sobre aviação militar desde antes de me interessar por informática, computação... Sim, a coleção "Aviões de Guerra" é mais antiga na minha estante do que os meus MSX. E ouvi e li muita besteira dita nesses dias a respeito. Como conheço um pouquinho, resolvi prestar alguns esclarecimentos em comentários de sites que frequento, e juntando tudo, agrupei aqui. Logo, fica fácil para quem quiser ler no futuro.

Vamos lá, então. Eu farei uma série de posts falando de cada item, já que se for um só, fica grande demais e ninguém lê. Começarei falando de cada um dos caças concorrentes, iniciando pelo caça que não concorreu mas tem gente que entende nada do assunto mas diz que deveria ser o vencedor: O Sukhoi Su-35.
Ah, uma coisa que ficou faltando lembrar: Toda essa minha análise se dará com base em critérios técnicos, não ideológicos. Logo, falarei dos aviões e das opções, sem levar em conta os governos que estão atrás. Sim, até quando falar do F/A-18E/F Super Hornet. Se quiser discutir ideologia, recomendo ir a um blog de política, aqui não.

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05 fevereiro 2011

Relatos de Campus Party - terceiro dia

Vamos ao terceiro dia de Campus Party, a sexta-feira, dia 21 de janeiro. Bem, esse acabou sendo o dia dos podcasts, pois todas as atividades relacionadas foram concentradas pela organização nesse dia. Acabou sendo muito bom, pois foi um dia em que eu cheguei bem cedo (antes das 10 horas), e de lá só saí para jantar... Num rodízio de pizza.

Minha estratégia sempre é comer muito bem no café da manhã (e como comi mamão esses dias...), para depois só jantar. Nada de almoço. Na 3a, comi no Habib's com o Capitão Nelson Wakai. Na 4a, fui sozinho para o imperdível Esfiha Chic, próximo ao hotel e detentor de originais esfihas de catupiry e calabresa (fora as tradicionais, de carne, frango e queijo). Na 5a, comi um yakisoba júnior e refrigerante na própria Campus Party (R$ 11!). Não fui à Choperia Opção para beber c/ o povo por querer aproveitar o tempo em q estava na Campus... Para downloads. Ah, tá, tem as conversas tb. E q conversas boas! O tempo investido na conversa c/ o Sérgio Vieira (Impressões Digitais) foi excepcional, e ainda rendeu um networking: Entreguei cartões para parte da organização da Campus, como o Edney Silva (Interney). Quem sabe ele n vira ouvinte nosso?

É claro que o interesse de muitos não era só debate e conversa, oficina e palestra: A maioria foi lá aproveitar a banda larga disponível para baixar tudo o que pode e mais um pouco. Chega a ser assustador ver que teve gente que praticamente não levantou a bunda (gorda ou magra) da cadeira nem para comer. Os gamers ficaram lá, como que em clausura. Não os recrimino na questão do download pois fiz igualzinho, e desci algo em torno de 80 Gb de dados. Não enchi o HD, mas foi o bastante para animar o meu netbook. Antes que alguém me acuse de pirata, 2 comentários:
  • Desci 6 DVDs de Linux: O último DVD-live beta do Ubuntu 11.04 (o Natty Narwal) e TODA a Debian 5.0.7 (Squeeze). Nisso já vão 6 DVDs, que desceram em média, a 2 Mb/s.
  • Pirataria é crime. Afundar navios dá cadeia. Compartilhar não é crime.
Aproveitamos a banda, mesmo com as deficiências que ocorreram. Os downloads diretos vieram bem rápidos, coisa de 6,83 Mb/s (Ubuntu a partir da Locaweb) e média de 2 Mb/s, no caso da Debian.

As falhas de infraestrutura eram claras, e sempre fala-se que uma boa organização é aquela que não se vê trabalhando, mas tudo segue normalmente. Nesse caso vimos muitas vezes a organização da Campus Party apagando incêndios, felizmente nenhum literal. Olha a lista até então:
  1. Na terça, dia em que cheguei a São Paulo, a chuva foi a vilã (segundo a Eletropaulo), e provocou a queda de luz no pavilhão por mais de uma hora, sendo precedida por outra queda, agora curta. Houve a procissão da Santa Banda Larga, gente pedindo uma graça... E depois ocorreu. Bem, segundo a Eletropaulo a queda de luz foi em todo o bairro, como disse. Mas alguns campuseiros relataram-me que viram todo o bairro aceso, e só o Centro de Exposições Imigrantes apagado. Ora, será que eles não preveram a possibilidade de um apagão? Afinal, quando chove em São Paulo no verão, é chuva violenta, com possibilidade de quedas de luz. O aluguel de um ou mais grupos geradores ia bem. Economizaram por um lado mas chamuscaram a sua imagem no outro lado.
  2. Na quarta, como já devo ter relatado, algumas bancadas estavam sem acesso à rede. Essa falha ocorreu novamente ao longo de alguns dias, com picotes na conexão, o que desagradou algumas pessoas (ou muitas). 
  3. Voltando à sexta, tivemos mais duas quedas: A primeira foi no início da tarde, e que fez o MalcomTux pular da cadeira ao meu lado e gritar, socando o ar: "Dez minutos!". Não entendi nada, mas ele explicou que a organização do evento prometeu a retomada total da energia elétrica em no máximo 10 minutos. Levou 15. A queda foi contida em parte pelos geradores que mantiveram o cubo de vidro da Telefonica no ar, e alguns pontos estratégicos. Mas nessa, a rede foi paralisada novamente. Para ser exato, houveram 2 quedas da rede na sexta, como vocês podem ver nessa foto do tráfego. Se vi direito, o consumo de banda não alcançou o topo oferecido pela patrocinadora do evento, mas mesmo assim houve cortes e com isso reclamações.
  4. A infraestrutura montada pela Telefonica deixou a desejar em alguns momentos, e o acesso quase instantâneo a alguns sites ficou mais lento do que na minha casa, com o meu ADSL de apenas 2 Mbps, acreditem se quiser. No caso de torrents, a flutuação é normal, mas a variação era maior do que a esperada. Muito maior.
Voltando ao dia dos podcasts, além das múltiplas gravações ocorridas (Radiofobia, Guerrilha Geek, Dimensão Nerd, entre outros), tivemos a oficina do Gustavo Guanabara sobre podcasts. A oficina foi muito boa por vários motivos:
  • O Gustavo é professor, então sabe como falar em público para uma audiência numerosa, com um linguajar apropriado. Quem lida com adolescentes em sala de aula e é bem sucedido, é capaz de fazer qualquer coisa.
  • Ele tem muita experiência com palestras, e com podcasts. Logo, qualquer dica é útil.
  • Ele não se prendeu às ferramentas, apesar de precisar delas para apresentar como as coisas funcionam. Claro que não gostei dele falar mal do Audacity, e nem todos tem dinheiro para comprar o Soundbooth ou o GarageBand. No final das contas, nem ele mesmo gostou, pois numa conversa (gravada) com o Vinícius Schiavini (Kombo Podcasts), ele falou que foi infeliz na sua afirmação. É, eu concordo, o Audacity não é o melhor programa para edição de áudio, mas é muito bom, embora gaste muito espaço com dados. E sim, ele trava. Mas já aprendi a contornar o seu gênio temperamental... Se bem que o Gustavo gosta do Mevio, o que eu abomino. Aí fica no "elas por elas".
  • Ele falou não só da parte técnica, mas também falou de estatísticas, como contabilizá-las, e algumas dicas de sites que podem fazer esse "serviço sujo".
A oficina foi ótima, e tive inclusive algumas idéias sobre edição que envolvem o Ardour (o "clone" open-source do ProTools) e o Audacity. Preciso estudar o primeiro. Gostei do que ouvi, apesar do marketing pró-Apple...

Logo depois, no palco principal, o pessoal do Nerdcast, Alexandre Ottoni (jovemnerd) e Deive Pazos (azaghal). E parte da turma se manifestou por lá: Eduardo Spohr ("A Batalha do Apocalipse"), BlueHand, entre outros. Não, não fui lá olhar eles. Por quê? Porque não havia nada de novo a ouvir... Embora fosse algo realmente novo: Eles fizeram um NerdCast ao vivo, praticamente. Mas, o que mais incomoda nem é o status de "estrelas nerds" que eles alcançaram. Não os invejo, e nem desejo ter essa posição. O que incomoda mesmo é o nível de fanatismo que alguns fãs deles tem: O Deive comentou que um fã desmaiou ao apertar a mão dele. No palco, fãs só faltaram dizer que o NerdCast ajudou ele a curar um câncer, obter a paz mundial ou revolucionar a ciência. Falaram, falaram, falaram... E não disseram nada.

E quanto às estrelas? Olha, de estrelas não tem nada, ambos são muito simpáticos. Só não falei com eles por não ter parado e tido a oportunidade. Minha timidez também não ajuda, e fiquei em débito com o Eduardo Moreira (TargetHD e SpinOff), além de ter falado tão pouco com o Jurandir Filho (RapaduraCast). Quando sentaram para gravar a seção de emails do NerdCast 241, na mesa de som do Leo Lopes (Radiofobia)... Logo se avoluma uma pequena multidão para assistir o evento. É bacana vê-los, apesar de serem estrelas de primeira grandeza dentro da constelação da Campus Party, sentando na bancada de podcasters, batendo papo, falando abobrinha e rindo, como a gente fez em boa parte do tempo.

Rir, aliás, é o melhor remédio, e o Radiofobia, na pessoa do Leo Lopes e do Quessa, e com o auxílio do Tarcan, do Professor Maury, da Dani Monteiro e de tantos outros protagonizaram dois dias de maratona podcastal, a #maratonapod. Foi tão comentada que chegou ao 2o lugar nos trending topics do Twitter no Brasil. O Leo tem curso de radialismo, sabe fazer um programa ao vivo, e leva o Radiofobia como se fosse um programa de rádio AM. Não é à toa que ganharam o prêmio Podcast de melhor podcast de humor. Na 6a, a mesa de som, o iPad usado para scratches, os notebooks e os microfones profissionais deram lugar a um potente gravador com entrada para mais 2 microfones, e a corrida para os lados, para catar possíveis convidados (ou não) para um programa especial Campus Party do Radiofobia. A Maratona Podcast foi transmitida via Twitcam, e foi simplesmente hilária. Queria ter visto mais, tentarei procurar posteriormente na rede.

A chuva desabou de forma BEM violenta às 14 horas desse dia, e um vento fortíssimo uivava do lado de fora do Centro de Exposições Imigrantes. O Vinícius chegou encharcado, o Tiago Andrade quase foi levado pelo vento (filé de borboleta...), e tive que fechar o meu netbook por causa dos respingos de água. Sim, respingou água dentro do pavilhão. E eu estava no MEIO do pavilhão, estávamos muito próximos ao centro do mesmo, onde estava o cubo de vidro da Telefonica, ao lado da "sala de imprensa" e do quiosque da assistência técnica (que desassistiu alguns conhecidos meus).

Mas, vamos ao debate. E lá estavam Mafalda (do Monalisa de Pijamas), Alan Polar (do Nerdrops), Eduardo Moreira (TargetHD e SpinOff), Leo Lopes (Radiofobia) e o Maestro Billy (do programa do Luciano Hunk, da ABEPOD e por aí vai). Foi um debate rico, com inestimáveis dicas sobre pautas, convidados, montagem, direitos autorais de músicas, e principalmente a transformação do seu podcast em algo profissional: A necessidade de um media kit, estatísticas de acesso...  A mídia podcast ainda é muito nova, e a maioria das agências de publicidade não despertaram para esse novo meio de propaganda. Formatos de áudio, histórias engraçadas, problemas... E quando acabou a luz, aí é que a coisa desandou, com o Leo Lopes fazendo muita piada corporal (fica feio falar que o amigo estava fazendo macaquices), e o Moreira indo questionar, na platéia, quem viu e gostou do final de Lost... Felizmente (ou não) o microfone estava s/ funcionar, mas o streaming de vídeo continuou, graças aos no-breaks. Se não editaram, experimente ver e tentar ler os lábios do Moreira. Sim, ele nunca gostou de Lost, o que é uma novidade para todos que nunca ouviram o SpinOff. Engraçadíssima, além de preciosa conversa.

Nessa noite tudo terminou em pizza, na Mansão da Pizza, no Ipiranga. A mesa tinha mais de 40 pessoas, com um bocado de gente comendo como animais. Infelizmente vários não foram porque senão fecharíamos um andar todo da pizza. Conversas sobre a organização, trânsito, entre outros. Revi o Ock-Tock (Máquina do Tempo), conheci a Vana Medeiros (SpinOff Podcast), e comemos como ogros famintos na companhia de dois piratas da melhor/pior espécie, o Maycon (jabour_rio) e o Júnior, do Baú Pirata.

Na volta, caminhada junto com o Tiago Andrade até o metrô (15 a 20 minutos), e dali, até o hotel. Depois de um banho, notebook ligado, 3G ativado, conversa via messenger... E cama. O outro dia seria ainda mais extenso, com Santa Ifigênia e o Steve Wozniak.

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08 setembro 2009

[UPDATE] E o Brasil vai comprar Rafales?

Caso eu não tenha falado ainda por aqui, eu sou um curioso por aviação de defesa, ou como queiram aviação militar. Quando garoto, ganhei do meu avô a coleção "Aviões de Guerra", e li os 9 volumes. Ainda li algumas revistas de aviação militar, e sempre que dá futuco um pouco no assunto. Tenho amigos no trabalho que também gostam, logo dá para me manter atualizado filando as revistas Tecnologia e Defesa de um deles.
Logo, quando o Governo Brasileiro começou o programa F-X2, fiquei curioso. Afinal, era uma grande reforma na nossa aviação, trocar alguns dos aviões e fazer uma reforma geral, que já estava precisando. O Brasil tem na aviação de caça Northrop F-5E e Mirage 2000, sendo que os primeiros foram reformados e atualizados, ganhando mais tempo de vida útil (que já passou dos 35 anos). Os Mirage 2000, baseados em Anápolis, Goiás, substituíram os antigos Mirage III, e são aviões bem mais novos.
Na final do programa, ficaram o Dassault Rafale (a primeira foto), o Boeing (McDonnell Douglas) F/A-18E Super Hornet (a segunda foto), e o Saab Grippen (a terceira), num contrato para 36 aeronaves e R$ 7 bilhões, entre aviões, transferência de tecnologia, e um monte de coisas. Minhas considerações:
  1. O Brasil está certíssimo em cobrar transferência de tecnologia. É a possibilidade (ainda que remota) da gente montar os aviões e equipá-los por aqui.
  2. O Brasil já opera com aviões franceses, que são os Mirage III e os 2000. Logo, os Rafale, que são os sucessores naturais dos Mirage, teriam preferência nessa questão: Já temos experiência em mexer em aviões franceses.
  3. Os Saab Grippen são os meus preferidos, por serem aviões robustos, requererem pouca manutenção e serem muito ágeis. Os Grippen foram pensados para levantar vôo até de rodovias, e poder ser reabastecidos e rearmados em 10 minutos por uma equipe de 5 homens. Tem problemas como precisar de 800m de pista para decolar, e não sei como seria a transferência de tecnologia para o Brasil.
  4. Os Hornet são os pé-de-boi da Marinha estadunidense, e fazem de tudo: Caça, ataque ao solo, reabastecimento... Mas são um pouco datados: Serão substituídos pelos F-35 daqui a um tempo. Se bem que já provaram seu valor em combate, várias vezes, e tem manutenção muito barata. Os Super Hornet são a versão "overpower" do Hornet, e tem muitas melhorias, o que é animador.
  5. Tenho reservas quanto aos Rafale, por diversos problemas que houveram na produção, pelo preço alto e o custo de manutenção. Além disso, os Rafale perderam todas as concorrências internacionais que participaram.
  6. Os norte-americanos disseram inclusive em compartilhar toda a tecnologia dos Hornet para o Brasil, o que é espantoso. Obama ligou para o Lula duas vezes, falando a respeito. Eles querem mesmo vender aviões para nós.
  7. Teve gente pensando que a proximidade do Lula com o Sarkozy é o que vai decidir a parada, mas não é bem assim, o buraco é muito mais embaixo. O Brasil tem parceria militar com a França faz muito tempo. O porta-aviões São Paulo (antigo Clemenceau) que o diga. Mas a discussão ainda vai se arrastar por muitos meses.
Bem, concluo prefiro o Grippen, seguido pelo Super Hornet. O Grippen tem o problema de ter a necessidade de quase 1 km de pista para subir. O Super Hornet é o mais velho de todos, mesmo atualizado e cheio de provas de sua eficiência em combate. O Rafale me parece uma opção mais cômoda, mas é um avião muito caro, se bem que é o mais moderno dos três.
Quando ao que saiu na segunda, o Lula falou demais e já correram para desmentí-lo. Parece que ainda serão 6 a 9 meses de estudos por parte do Ministério da Defesa. É claro que ele quer fazer "uma média" com o Sarkozy (mais lembrado por nós, cariocas, pela sua belíssima esposa, a Carla Bruni), mas mais uma vez, nosso presidente perdeu uma chance de ficar calado.
Quanto ao que vai sair... Vamos esperar.
PS: Curioso como os jornalistas-comentadores-opinadores de plantão (Bóris Casoy e Ricardo Boechat) divergem quanto a esse assunto. Bóris disse que é realmente necessário reaparelhar as Forças Armadas do Brasil, que estão sucateadas, que proteger a Amazônia, a costa, o pré-sal e o escambau é importante... Enfim, ele faz coro com o que o presidente disse. O Boechat (assumidamente pessimista) apenas reafirma a velha cantilena de que tem que investir em saúde e educação... Mais um daqueles que acham que o homem não deveria ter ido à Lua, que não consegue entender que isso também é desenvolvimento. Mas dessa raça de jornalistas, eu expresso minha opinião depois.

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06 abril 2009

E o nosso presidente é "o cara"

E não sou eu que estou dizendo, é o Barack Obama. Acho que todo mundo viu isso na televisão recentemente, no encontro do G-20. O presidente americano dá um efusivo aperto de mão, e diz o quanto gosta de Lula, dizendo que é fã dele, que ele é o político mais popular do planeta, e isso deve-se à sua boa aparência. Lula retruca através do intérprete: "São seus olhos, Barack, são seus olhos..."

O vídeo está correndo o mundo, e está na Internet. No Youtube tem várias cópias, achei essa mais completa, e resolvi colocar aqui:



Independente de você gostar ou não do governo Lula, de você criticá-lo sem nenhum fundamento ou cheio deles, de sentir orgulho dele ou não... Ele é o cara. Segundo o homem mais poderoso do mundo, o presidente do nosso país é o cara. Tem muita coisa errada? Poderia estar melhor? Sem dúvida. Mas tenhamos uma pontinha de orgulho: O presidente do nosso país é "o cara". E eu adorei ter visto isso.

PS: Poupem-me das críticas raivosas a respeito do governo dele, tá? Embora goste do governo Lula, tenho minhas (muitas) ressalvas, e não adianta ficarem apontando todos os erros (que foram muitos) por aqui.

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14 junho 2008

Filosofação: Qual o problema de ter tanta distro de Linux?

Estou tentando tirar o meu atraso das notícias do BR-Linux, e vejo muita gente questionando o lançamento de outras distros. Vi uma lista do qual nunca ouvi falar, e resolvi reproduzir: PapugLinux, LG3D, Deep-Water, SchilliX, Komodo, Momonga, BeaFanatIX, Mutagenix, Fermi, Pingwinek, Mayix, elpicx, AnNyung, Xteam, VNLinux, Plamo, Condorux, Wazobia, TumiX, Omoikane, NuxOne, Julex, JoLinux, Hacao, Ehad, Burapha, Truva, Trisquel, Thisk, Taprobane, Pilot,
Karamad, Gelecek, Swecha, Niigata, Dzongkha.

Que tal? Pois é... Há os dois lados da moeda:
  1. Há quem reclame, dizendo que o tempo investido em fazer uma nova distro apenas mudando as cosmética da distro poderia ter sido investido em aperfeiçoar outra distro.
  2. Há quem defenda o direito e a liberdade de construir o que se quer. Afinal, o Linux From Scratch é democrático, não seleciona quem pode e quem não pode fazer uma distro.
Bem... Sendo breve, é bom e ruim ter várias distros.

Poderia se investir numa distro mais "tradicional" e melhorá-la, ou criar uma distro "nova", em cima da anterior? Normalmente o caminho preferido por alguns é a segunda opção. E por quê?
  • Necessidade de auto-afirmação é uma das opções. Tem gente que quer ser afirmar (e no caso, muitos são adolescentes, fisicamente ou mentalmente falando), e por isso acabam querendo usar as distros tidas como mais cabeludas (se você pensou Slackware, pensou certo). Por quê? Atrai status, ganha-se pontos fazendo a sua própria distro. Não se conquista uma nova namorada, mas conta pontos nos canais de IRC da vida. Quem não lembra do tempo em que pipocavam distros derivadas do Kurumin? Era ainda mais fácil customizá-la, bastava descê-la toda para o HD, e dali sair alterando algumas coisas... Pronto, uma nova distro a caminho. Alguém usava? Se bobear, nem o desenvolvedor... Certa vez perguntei a uma namorada qual era a distro que o irmão dela (caçula) usava. Ela perguntou a ele e voltou: "É Isléqui". Respondi: "Fala com ele para parar de querer aparecer", foi o que eu respondi. Dispensável dizer que ela não entendeu.
  • Outra opção, no caso, vem de empresas, que querem "vender" a distro (na verdade o serviço englobado por ela) para empresas que vão instalar nos seus micros que encaixam no programa "Computador Para Todos", e assim, poderão ter os descontos de impostos, mesmo quando a máquina for reformatada e um Windows XP pirata tomar o seu lugar. Isso é muuuuito comum. Já viram as distros que aparecem nos micros do programa? Eu nunca ouvi falar, mas mesmo assim me nego a explicar a alguém como removê-lo e colocar um Windows XP pirata. E a minha consciência, como fica?
Agora, não podemos negar a ninguém o direito da diversidade: "A beleza do Universo está na infinita diversidade das suas infinitas combinações". O que seria do vermelho se não fosse o verde? Na boa, deixa acontecer. Nesse campo, a Teoria da Evolução acaba funcionando: Só resistem os mais fortes.

Enquanto isso, um bando de ridículos (alguns dos quais eu conheço) ficam dizendo que Windows é melhor por conta disso, é um só... Sempre ouço que um dos grandes problemas do Linux é a imensa variedade de distros. E já foi gente de tudo que é canto dizendo isso: InformationWeek, ZDNet, Fórum PCs. No Distrowatch citaram 359 distros relevantes. Fora as "fazidas por eu".

E daí? Existem centenas de modelos de câmeras digitais, de dezenas de fabricantes na praça. E sempre que me perguntam, sempre indico câmeras de 3 ou 4 fabricantes (e desaconselho câmeras de mais uns 3). É uma variedade imensa. Mas a gente se vira. Mesma coisa com o Linux: Não existem umas 10 ou 15 distros que realmente sobressaem? Aqui em casa sou ecumênico: Fedora no desktop, Ubuntu no notebook, Gentoo no servidor, e OpenWRT no roteador. Trabalho com Ubuntu, estou tentando montar um curso de administração de servidores Linux com CentOS, penso no Foresight Linux para uma solução específica, no trabalho...

Poderia ser mais focado? Sim, poderia. Mas não é. E vamos ficar brigando por isso? Deixemos para lá, gente. Vamos em frente, e vamos continuar crescendo. Aos poucos, devagar... Já que o Linux está pronto para o desktop. O usuário é que não quer mudar. E não vai adiantar fazerem instaladores com Inteligência Artificial, clonar o look-and-feel dos programas mais comuns, ou fazer métodos estúpidos de instalação (Próximo, Próximo, Finalizar). Não adianta, usuário não quer. A única maneira é combater a pirataria. E usuário, nessa categoria... Tem mais é que ser arrochado pela pirataria MESMO. Propriedade intelectual é coisa séria. Mas isso é papo para outro post.

PS: Nada contra Slackware. Tenho alguns bons amigos que usam Slack (inclusive o PiterPunk), mas o que eu vejo de adolescente querendo se afirmar usando-a... São poucos os que realmente metem bronca e usam-na, desenvolvem e fazem algo. Lamentavelmente.

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Filosofações: Tão subdesenvolvido...

Semana passada levei meu carro para lavar, devia a ele um banho decente há alguns meses (o último foi no dia em que casei). Feito o serviço, peguei o carro, tinindo de limpo. Inclusive colocaram jornais sobre os tapetes, e dali vim para casa.

Como sou muito curioso, e criei o hábito de ler muito, resolvi olhar o jornal que lá tinha sido estendido, numa folga, com o carro parado. Era uma folha do Extra, jornalzinho carioca do grupo d' O Globo, e que falava do concurso Mrs. International. Fui estender a leitura.

Esse concurso é que nem os antigos concursos de misses, com uma diferença: É feito com mulhares casadas. Curioso, isso. E o jornal falava da candidata brasileira, Adriana Jackson. Ela tem algo próximo da minha idade (acho que 34 anos), e é casada com um estadunidense, é professora primária em Salt Lake City, no estado de Utah (sede da Novell),e vai participar desse concurso. Até aí nada, tem um texto escrito por ela no G1 (aquele tipo de matéria em que você é o repórter, meio que uma tentativa de fazer as pazes com alguns blogueiros) e a matéria do mesmo site está aqui.

O que achei curioso, e motivou o título da matéria foi a abordagem que o Extra deu para um detalhe da notícia, dizendo que ela vai nas escolas "fazer propaganda" do Brasil, apresentando a nossa cultura. Quando vamos ler a matéria no G1, vemos que a coisa é um pouco diferente, que ela é professora, que vai às escolas divulgando o concurso, e as pessoas tem interesse em conhecer. Aí ela apresenta.

Uma preocupação que temos, como brasileiros, muitas vezes é "divulgar" a nossa cultura. Falar que aqui não somos terra de ninguém, que os macacos não andam nas ruas, e nem usamos sucuris como quebra-molas. Que aqui temos muito mais do que samba, carnaval e mulher pelada. Que temos uma economia que cresce (apesar dos pesares, cresce), um povo solidário, um clima privilegiado (minha avó, polonesa, adorava o calor do Rio de Janeiro), música fantástica (que eu não gosto, mas respeito), futebol de primeira... Tantas coisas boas. Somos iguais a todos, e melhores em muitos aspectos. Piores em outros, é verdade. E por que é que precisamos ainda ficar divulgando por aí o que somos, dizendo que somos bons?

É claro que uma crítica como aquele episódio d'Os Simpsons nos incomodam a todos. Mas há a licença poética: Podemos falar tudo dos estadunidenses, menos que eles tem auto-crítica. São o povo que mais satirizam a si mesmos, e o desenho supracitado já satirizou os estereótipos dos japoneses, australianos e de tantos outros. Por que não a gente, aqui? Na boa... Whatever, eu também preciso me incomodar menos.

Nélson Rodrigues dizia que tínhamos "complexo de vira-lata". Infelizmente, ainda temos um pouco (ou muito), ainda precisamos dizer a nós mesmos que somos bons, para que acreditemos. Ainda precisamos ouvir de estrangeiros que visitam o nosso país que ele é lindo, que é maravilhoso, que gostaria de vir morar aqui (mesmo que seja mentiroso da parte deles), essas coisas. Claro que nos alegra ouvir de gente como Will Eisner que só não vinha morar no Brasil porque não conseguia aprender o português, e que os quadrinhistas brasileiros tem qualidade, e devem falar com os outros mercados. Ou de uma cantora de uma banda de rock inglesa, dos anos 80 (achava que era a Chrissie Hynde, do Pretenders, mas vi que não era) que estava morando em São Paulo e a sua vontade era ficar cantando MPB em barzinhos na capital paulista. Mas isso não é tudo, temos valor pelo que somos.

Temos mania de valorizar o que vem do exterior, e convivi muito disso de perto, com meu pai, que viveu a influência de supervalorizar o que vem de fora, nos anos 60, 70 e 80. Só que ficar valorizando os outros, em detrimento de nós mesmos... Ah, isso é tão subdesenvolvido... Que a gente faça isso cada vez menos. Que sejamos nacionalistas, mas que não sejamos tolos.

PS: Um detalhe sobre a minha motaivação inicial para escrever esse texto (lá em cima, vai lá olhar!): Ela é negra (ou mulata, como queiram chamar), e moradora no estado mais mórmon dos EUA, onde dizem, até o lago salgado é seguidor de Joseph Smith. E os mórmons tem a fama (não sei se justificada) de serem racistas (dizem que a "marca" de Caim foi a cor e o nariz, essas coisas). Agora, como ela se vira por lá?

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21 abril 2008

Carta a uma criança

Rio de Janeiro, 21 de abril de 2008

Querida Isabela,

Tudo bem com você? Bem, sei eu e você que não. Eu, você e toda a torcida do Flamengo, Coríntihans, Botafogo, São Paulo... Todos nós sabemos que não. Você não sabe a confusão que aconteceu por aqui, menina. Tudo por causa do seu falecimento. Aliás, do jeito que foi... Meu Deus, não gosto nem de pensar.

Aquele que se diz "seu pai" está para ser preso, e aquela que era a sua madrasta também. A polícia está seca para por as mãos neles, e colocá-los numa cadeia pelo que fizeram com você. Mas não podem fazer isso sem ter provas conclusivas. Lá dentro do nosso coração, meu e de todos os brasileiros, ninguém tem dúvidas: Você foi morta por aquele que se diz "seu pai" e por aquela que era a sua madrasta. Agora resta saber como isso aconteceu. E para isso, a polícia está fazendo um trabalho muito cuidadoso. Várias perícias estão sendo feitas, e vários detalhes daquele dia já apareceram. Já foram depor muita gente: Sua tia, seu avô, sua mãe, o vizinho de baixo... Até o garçom do restaurante onde sua tia estava! É, ele disse que ouviu ela dizendo: "Meu irmão fez uma grande besteira". E foi até a polícia para afirmar que ouviu isso. 3 semanas, mais de 50 pessoas depuseram, e um monte de gente desocupada gritando na porta da delegacia: "Assassino! Assassino! Assassino!" Se você estivesse por aqui, estaria rindo à beça do fato.

É, menina, você ficou famosa! O Brasil quer saber como tudo aconteceu. É claro que aparecem aí os oportunistas: Os advogados daquele que se diz "seu pai" só sabem acusar a polícia de não ter feito bem o trabalho. Tudo rapaz novo, tem que ver! Parece que eles acabaram de passar na prova da OAB. Dizem que estão sendo orientados pelo seu avô, advogado bem-sucedido, e de muitas posses, que quer livrar a cara do filho.

Outra parte que se aproveita disso é a imprensa. Ah, a imprensa... Que se adora gastar tempo falando mal do governo (com e sem razão), agora só fala da sua morte. Tem canais de televisão que só falam do fato: Reportagens de revistas, jornais, rádio... E todo mundo opina, e entende do assunto! E falam como foi, por que foi, motivos, erros... Discutem os relatórios dos legistas, questionam e levantam pontos. Psicólogos, psicanalistas, entendidos e não-entendidos, pessoas famosas e populares, todo mundo dá pitaco. Até a depressão pós-parto daquela que era a sua madrasta veio à tona. Estão revirando a vida deles até o último grão de poeira da sola do sapato. O povo quer saber. Parece que a imprensa vive somente de escândalos por aqui, nessa terra bendita de Deus (que é brasileiro, mas tirou o seu passaporte) em que vivemos. E como falam.

Quem diria, hein, mocinha? Você ficou famosa. Tristemente famosa. Nós todos preferíamos que você continuasse anônima. Mas viva. O país todo está de luto por você. Muita gente chorando, tem que ver. Aquele seu sorriso aberto, franco, já preparando-se para perder os dentes-de-leite, de uma garotinha que brinca de bonecas e gosta de ser arteira... Não vai sair da cabeça da gente por um bom tempo.

Aqui, todos querem que eles paguem pelo crime bárbaro que cometeram. Se forem a júri popular, pegam no mínimo 30 anos. Isso, se sobreviverem na cadeia, porque não tem algo mais intolerável para bandidos do que estuprador e assassino de crianças. Duvido que sobrevivam muito tempo, do jeito que o povo clama por justiça.

Mas nem assim você vai voltar. Alguns acham que sim, você voltará, de outra forma. Outros, como eu, acham que não, não há "segunda chance". De qualquer forma, fica aqui o meu conselho: Se cuida, menina! Ah, e se você ver o João Hélio por aí, diz que nós mandamos um abração para ele. Os pais dele sofrem muito com a perda, e nós, que não o conhecemos, ainda nos entristecemos quando lembramos. Eu, pelo menos, ainda lembro vez por outra, quando passo pelas ruas por onde ele passou. E o coração ainda aperta.

Bem, é isso. Um beijão de um... "Tio" desconhecido, Nos vemos, quem sabe... Um dia desses. Aí te dou esse beijão que vou ficar devendo e um abraço.

Ricardo.

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23 março 2008

"Coronel, isso vai dar m..."

Nota: Escavando o meu HD, achei alguns textos que redigi para por no blog, mas por diversos motivos (esquecimento é o mais forte deles), não coloquei. Logo, coloco agora o primeiro deles. E segue a programação normal.

Finalmente assisti Tropa de Elite. Demorei por diversos motivos, mas não era porque não queria ver o filme. Afinal, há anos um filme nacional não atrai tanta polêmica, com críticas favoráveis e desfavoráveis, e justamente de pessoas por quem eu tenho respeito. Claro que a minha curiosidade estava atiçada, e, entre outras coisas, queria ver como o Wagner Moura interpretou o autor de frases que já estão eternizadas na memória coletiva do povo brasileiro, como "05, traz o saco!".

Pois é, vi. E vale dizer, adorei o filme. Gostei muito, um dos melhores filmes que vi no ano. Não vou narrar a história, mesmo porque alguns de vocês já devem tê-lo visto mais de uma vez (um ex-aluno da minha escola já assistiu 6 vezes), mas queria deter-me em alguns comentários:

  1. A polícia reclamou do filme, queria evitar que o filme saísse, mas na minha opinião, ao contrário, Tropa de Elite lava a alma da polícia. Mostra a corrupção, que sabemos que tem. Do comandante do batalhão ao guarda de trânsito ("voa aqui, ô marimbondo!"), vemos isso, bem escancarado. Mas mostra também policiais honestos e corretos, como o Neto e o Matias, que fazem o que fazem por vocação, por gosto, porque gostam de ser policiais. E não são só dois policiais, tem muitos como eles, que querem fazer a coisa certa. Tenho um amigo que teve uma má experiência com policiais recentemente (*), e diz que não confia mais em policial nenhum. Eu não sou tão taxativo, mas sei que tem gente boa na polícia, como em qualquer profissão. Não precisa ir muito longe: Certa vez ouvi um professor lá na escola dizendo que pegava aula aos sábados sempre. Aí, ele faltava 3 e trabalhava 1, gozando do direito (que caiu) de 3 faltas por mês. Isso na minha terra chama-se canalhice.
  2. Ao mesmo tempo, o filme expõe a hipocrisia da classe média-alta, que vai para as ruas fazer passeata "pela paz", mas quem alimenta o tráfico (com maconha sendo revendida em faculdades) é esse próprio público, que critica a polícia, mas que acha que "dar um tapinha" não faz mal, é só para consumo próprio... Outro dia ouvi a atriz Cássia Kiss assumindo publicamente que foi usuária de maconha por anos a fio, e dizendo que os lapsos de memória que ela tem hoje em dia são causados pelo uso prolongado da cannabis. E ainda querem liberar as drogas... É bom ouvir que o Capitão Nascimento faz coro com a minha repulsa a essas passeatas tolas e sem sentido, tal qual a do "Cansei!", que não serviu para absolutamente NADA.
  3. O Capitão Nascimento não é um super-homem. Como todo "herói" amargurado, tem problemas em casa. A esposa sai de casa com o filho recém-nascido, e ele fica sozinho. É... Desde o Tenente (e futuro Comissário) James Gordon, de Gotham City, em Batman:Ano Um, isso é recorrente. Clichezão. O treinamento, também é. Mas que é maneiro, é! Qualquer um que viu o Bruce Willis destruindo tudo na série "Duro de Matar" (**), já viu policial se ferrando a mil. Mas o Capitão Nascimento é o novo herói nacional. Com direito a problemas familiares.
E não tem jeito, é o maior sucesso de crítica do cinema brasileiro recentemente. Os atores estão ótimos (o Matias está um pouco fraco), e fiquei particularmente impressionado com o Capitão Fábio (Milhem Cortaz), como ele soa carioca... Sendo que ele é paulista, tendo morado na Itália e tudo. Foi curioso também ver o Caio Junqueira como Neto, e rever uns episódios de Armação Ilimitada, onde ele aparece criança, como um colega do Bacana (Jonas Torres). O filme é desbocado, violento, forte... Mas é muito bom, gostei muito.


(*) Bateram no carro dele, e a causadora do acidente era amiga dos policiais da área. Eles queriam que ele assumisse a autoria da batida, porque ele tinha seguro. Isso é caso para a Corregedoria.

(**) Vi toda a série de novo, só me falta rever o 4o filme (assisti o 1o legendado pela 1a vez na vida).

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