24 agosto 2009

Família é bom mas também dói...

Como disse num post anterior, minha avó fissurou a cabeça do fêmur, e foi internada num hospital público aqui do Rio. Antes que queiram crucificar todos nós por não pagar um plano de saúde para ela, vai abaixo uma lista:
  • Minha avó é uma pessoa muito difícil de lidar. Aliás, lembram do meu avô? Ele era mais fácil de se lidar. Ô coração duro.
  • A justificativa por não pagar um plano de saúde está no link que coloquei aí em cima. Não vou repetir.
  • A última vez que meu pai viu o saldo da conta dela, estava em algo perto de R$ 9 mil. Ou seja, não é problema de falta de dinheiro, embora era fosse mestre em repetir a fala que cabe muito bem a pobres aposentados com salário mínimo.

E agora é a vez dela de estar internada no HSE, há 1 semana. Tomou 4 tombos, mas só nesse último quebrou um osso. E olha que a osteoporose está comendo solta... Mas por obra e ação divina, ela não quebrou nada nos 3 tombos anteriores. O cenário que vi hoje é de chorar. Há pouco mais de 2 meses ela estava lá, toda arrumada, no aniversário de 1 ano da bisneta, a Giulie: Animada, comendo (que nem uma traça), conversando... Disse até que a Maria Cláudia é simpática! Tiramos um monte de fotos dela, com a baixinha vestida de Minnie no seu colo.
De Diversos

Viram? Pois é. E ontem eu encontrei uma velhinha mais magra do que já é, que não se cuida (ela estava desidratada - porque não gosta de beber água!), sem o óculos, as dentaduras, e o pior, ficando senil. Não dá para acreditar que essa foto aí de cima eu tirei há 2 meses atrás, e em uma semana, ela tenha sofrido uma fratura do fêmur, mas tenha agravado tanto até a sanidade mental dela. Bateu uma angústia daquelas... Saí do HSE com o coração chorando.

A minha oração diária agora é para o Senhor ajudar meus pais. Enquanto escrevo essas linhas, minha mãe está na enfermaria do hospital, dormindo com ela. Tem duas senhoras que estão acompanhando-a, mas uma teve um problema no trabalho (é a vizinha) e a outra, a acompanhante dela, estava na sua noite de folga. E logo a única nora, que ela espezinhou, sacaneou e tratou tão mal ao longo da vida... Se eu acreditasse em canonização, eu inscreveria dona Madalena na lista, e iria passar a frente de todos os outros, por mérito. Meu pai, por sua vez, parou com a vida e está indo ao hospital diariamente, vendo o que pode resolver, e se preparando para o pior. Peço a Deus que dê forças e ajude aos meus pais nesse momento. E que o Senhor também dobre a cerviz dura de dona Alice, que não cede, não aceita uma oração, não quer saber de nada, de Deus ou de Cristo. A acompanhante dela (dona Arina) é cristã e já ter dito a ela: "Dona Alice, a senhora precisa é de Jesus Cristo!". Mas mesmo assim, com suas poucas forças, não aceita e não quer saber. Ô dureza...

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13 julho 2009

Sim, milagres!

Rapidamente: Lembram daquele menino que citei nesse post? Esteve internado, passou muito mal, inchou, padeceu muito... Mas melhorou, numa reação maravilhosamente espantosa, que os médicos não puderam explicar. Se não é o que podemos classificar como uma ação sobrenatural, de alguém mais poderoso do que nós... Então eu não sei o que é. Para mim, como cristão, é o poder de Deus. A última notícia que tive é que ele iria receber alta. Não falei com meu amigo hoje para saber (ele não foi), mas essa é a última notícia que tive. Depois conto mais.

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31 maio 2009

E a gente reclama de pouco...

  Tenho um amigo de infância lá da igreja que voltou para os caminhos de Deus recentemente. Ele saiu, foi viver com uma moça, filha de pastor. Viveram juntos, depois casaram. Tiveram 2 filhos. Tiveram muitas brigas, e acabaram separando-se. Devido a circunstâncias que não iremos discutir, ele teve que assumir a guarda dos meninos, e voltou à igreja por volta de maio de 2008, começando a passar por dificuldades financeiras. Ele é segurança, sofreu um acidente de trabalho (estapeou um arruaceiro que o agrediu dentro de um shopping center, e quebrou alguns ossos da mão), e recentemente foi chamado de volta.
  O filho mais velho tinha um caroço no pescoço, do lado direito, e o pai levou-o ao médico para ver. Exame de sangue, baixa nas plaquetas... Sim, câncer. O menino tem câncer linfático. Ainda está no início, é correr e tratar. A vida dele vira de pernas para o ar: Começa a quimioterapia, o menino perde todo o cabelo (o que é um bom sinal), ele volta da licença médica para o trabalho... Falta o dinheiro, aumentam as preocupações... É hora de achegar-se mais a Deus e à igreja, já que a família, embora numerosa, não ajuda muito. Chegou a mandar correspondência para o Caldeirão do Huck, para ver se no Lata Velha ele ganhava a reforma do carro (um Voyage bem mal-tratado), para poder levar o filho para o tratamento. O menino trata na UFRJ, e ele mora em Bangu (uma distância de 30 km, acho).
  É uma luta que parece não ter fim. A gente ajuda no que pode: Periodicamente Cláudia manda uma bolsa de compras, e além das orações, temos oferecido consolo, apoio e amizade. Deus está no controle, e o médico está muito feliz com a caminhada dele. Apesar das quimioterapias que trazem vômitos e muito sofrimento, da radioterapia localizada que ele ainda fará no pescoço (para ter certeza de que esse tumor será definitivamente eliminado), ele está reagindo bem ao tratamento, e a esperança de que até o fim do ano ele só continue na manutenção, que deve ainda acontecer por pelo menos 5 anos. Ele vendeu o que sobrou do Voyage, raspou o fundo do tacho e comprou um Monza. Deu uma ajeitada, fez cabeçote, carburador... E o carro foi furtado. Desgraça pouca é bobagem? Talvez, mas, como ele mesmo diz, foi por Deus que o carro foi furtado e não roubado, porque ele poderia reagir. Afinal, ele é segurança e tem porte de arma. A arma dele foi junto com o carro.
  O tempo passou, ele conheceu uma mãe, numa situação parecida com a dele: Sozinha, 2 filhos, o mais velho tratando câncer também. Leucemia, no caso desse menino. Começaram a namorar e caminhar juntos. Ela tem ido também à nossa igreja. Hoje, conversando com o pastor da minha igreja, fiquei sabendo que o filho dela, o que tem leucemia, foi desenganado pelos médicos. No caso dele, não tem jeito. Um transplante de medula não resolveria a situação, embora fosse possível tirar parte da medula dele, tratar e realizar uma infusão. O câncer começou a atingir o pulmão e outras partes do corpo. Agora é a vontade de Deus. E estamos orando.
  É difícil olhar para o menino, todo arrumadinho para ir à igreja, e saber que, segundo os médicos, ele vai morrer. Quase chorei hoje, quando o vi saindo do escritório, onde ele, a mãe, o namorado da mãe (esse meu amigo) e mais um presbítero da igreja tinham orado. Esse meu amigo estava com os olhos vermelhos, e os meus se encheram de lágrimas naquele momento. Um dos nossos maiores medos é que, caso aconteça, isso abale o filho do meu amigo, o que tem câncer linfático. Ele já perdeu 3 colegas de quarto nesse tempo de tratamento, e não é nada fácil para nós, adultos. Extrapole para uma criança de 10 anos.
  Por mais que saibamos que a vontade de Deus é soberana, ainda nos ansiamos e nos preocupamos. Por mais que queiramos que tudo ocorra na forma que queremos, nem sempre é assim. Lembro-me da oração do C. S. Lewis, pedindo a Deus para mudar o seu coração, e entender a vontade de Deus. No caso dele, Joy Gresham morreu, não teve jeito. É difícil. E, se Deus não curá-lo? Bendito seja o Seu Nome, e bendita seja a Sua vontade. Muitos tem o péssimo hábito de jogar a culpa em Deus para os fatos que ocorrem no mundo. Gente que culpa o Senhor das mazelas e sofrimentos que temos por aqui. Meio que parecido com a idéia do governo como o "pai de todos" (que vem de Getúlio Vargas, a propósito).
  E lá é a culpa de Deus para o sofrimento nosso? Como o próprio C. S. Lewis disse: "O sofrimento é o megafone de Deus". Muito fácil falar que não dá para acreditar em Deus com tanto sofrimento no mundo. E eu me pergunto se essa pessoa que está justamente dizendo isso, aceitaria e admitiria ser manipulado por um ser superior, mesmo que fosse para ser o melhor para ela. Eu duvido que a perda da liberdade individual e do livre arbítrio valha isso. Ninguém toparia. Por isso, é fácil argumentar sem argumentos. E enquanto isso, o que podemos fazer é pedir a Deus a Sua misericórdia e a realização da Sua vontade. Porque, por mais que seja difícil aceitar, ela é o que temos para nos agarrar. O sofrimento é o caminho que temos para entender que Deus não é uma esperança, a mais importante, ou a mais certa. Ele deve ser a nossa única esperança. E se não for assim, estaremos fadados a andar em círculos, perdidos, sem saber o que fazer.

  PS: E a mãe do menino, ex-esposa desse meu amigo, como está nessa história toda? Olha, pelo que eu sei, não está ajudando em (quase) nada. A vi uma vez lá na igreja, e o menino falou com ela, mas estava distante... Parece que ela agora quer "curtir a vida". O que é lamentável, já que, independente das rusgas que tiveram, o filho não tem nada a ver com isso. Mas, como dizem: "Começou tudo errado, não tinha muito como ir parar em outro lugar."

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04 dezembro 2007

Fiquei triste

Rapidamente: Acabei de saber que o dentista que me acompanhou nos últimos tempos, comigo visitando-o 1x por ano para fazer limpeza e bater papo sobre odontologia (eu sou curioso, ora), um senhor de 67 anos, está com Mal de Alzheimer.

Sim, estou triste depois dessa. Ele já tinha fechado o consultório, eu já não era mais paciente dele... Mas fiquei triste. É isso.

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