04 abril 2009

Série "Fotografia e eu" - finalmente, as fotos HDR!

  Uma coisa que descobri ao revirar alguns sites, como o Digital Camera Controls, foi que existem pessoas que hackeiam suas câmeras digitais. Sempre o objetivo de um hack é melhorar, aperfeiçoar ou modificar (para melhor) o funcionamento de um recurso. No caso da câmera, era para adicionar funções à câmera. Daí foi que eu achei o CHDK (Canon Hack Development Kit), uma jóia para quem tem câmeras Canon.
  O CHDK é um aperfeiçoamento do firmware original das câmeras Canon que adiciona recursos como:
  • Tirar fotos em RAW. Uma foto RAW é uma foto sem compressão alguma, o que é uma beleza para quem quer trabalhar as fotos sem ter que se preocupar com perda de qualidade do J-PEG.
  • Rodar scripts na câmera. Isso também é fantástico. A linguagem de programação é a LUA, e dá para fazer muita coisa interessante, inclusive fotos HDR.
  • Histograma de cores ao vivo. Essa função é a que eu mais uso, dá para ver a situação em termos de cores para cada canal RGB, luminância, ou todos misturados. E em tempo real, só mexer a câmera que o gráfico é refeito. Fantástico.
  • Indicador de bateria em porcentagem. Com isso dá para ter noção se a bateria aguenta mais algumas fotos com flash ou não.
  • Um modo de compressão maior dos vídeos. Esse eu não experimentei, mas pelo que diz o site, dá para colocar o dobro de vídeo no mesmo espaço.
  • Tempos de exposição que vão de 1/10000 s a até 65 s, o que é mais do que suficiente para pintar e bordar com a câmera.
  • Traquitanas legais, como um leitor de textos (!), um calendário, calculadora de profundidade de campo (DoF), um gerenciador de arquivos (!!) e joguinhos (!!!), inclusive um ligue-4.
Tem mais funcionalidades, mas essas só já fazem valer a pena. Existem extensões do CHDK que permitem disparar fotos quando ocorre movimento na cena (Motion Detection), outros que podem gerar fotos estereoscópicas, algoritmos novos de compressão que podem gerar vídeos realmente longos (mais de 1 Gb de tamanho), entre outros.

E o melhor é que o CHDK não é permanente: Você descomprime no cartão da câmera o arquivo compactado, carrega-o, ele faz um patch no firmware... E pronto. Achei duas inconveniências, apenas:
  1. Se você girar o display destacável até ficar de ponta-cabeça, a tela apaga. Mas funciona normalmente se o CHDK estiver desligado.
  2. A câmera demora mais para ligar, pois ainda tem que carregá-lo do cartão. Mas nada assustador, só um ou dois segundos a mais.
Com os recursos que o CHDK me dá, pude por exemplo, fazer fotos noturnas com boa qualidade e sem usar flash (a bateria estava no fim), além de acertar muitas fotos na questão do estouro de uma das cores do espectro (vendo o histograma) e... As fotos HDR.

Finalmente consegui. Basicamente coloquei um script na câmera, fiz as devidas regulagens do script, montei-a num tripé, disparei... E fui bater papo, enquanto ela fazia o serviço sujo. Em outras, fiz o ajuste e bati as fotos eu mesmo. A média foi de 10 exposições com variação da abertura do obturador.

Mas como montei as fotos HDR? Esse seria outro problema, que eu teria que pesquisar. Depois de procurar um pouco, achei alguns tutoriais de como montar fotos HDR no Photoshop, no Gimp, no Photomatix (um programa apropriado para isso), mas eu não iria usar programas de outra plataforma, somente Linux. E usar o Gimp para isso me soava um pouco como gambiarra, além de ter que catar (provavelmente) um plug-in específico. E haviam programas para fazer isso, específicos. Procurei mais um pouco e achei o qtpfsgui.

O QtPFSGui é um programa que usa a biblioteca Qt (pertencente à Nokia hoje em dia), logo para o ambiente KDE. O mesmo tem vários recursos que dão a chance de fazer sem muito trabalho fotos HDR. Claro, é preciso refinamento de quem está fazendo, para que saia uma foto minimamente interessante.

O resultado é que montei várias (quase 50), escolhi 16 e coloquei no meu álbum de fotos do Picasa. O link para o álbum específico está aqui, e abaixo vão 2 fotos que eu gostei muito, das que coloquei lá:
De Fotos HDR

Foto da estrada de terra que há no fim da UFV e conduz até o CEM, em Viçosa, MG. O programa usado foi o Qtpfsgui, usando o algoritmo "Mantiuk".


De Fotos HDR

Foto de uma árvore de folhas roxas (esqueci o nome, seria ipê-roxo?), no campus da UFV, em Viçosa, MG. O programa usado foi o Qtpfsgui, usando o algoritmo "Durand".


Mais fotos no álbum. Minhas aventuras com fotos não pararam, continuam. Quando houver mais novidades, conto mais. Quanto ao CHDK, recomendo fortemente a todos que tiverem uma câmera Canon. Ah, os menus podem ficar em português, basta você pegar o arquivo com a tradução (que eu revisei e ampliei, heheh) e colocar. Funciona.



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22 março 2009

Série "Fotografia e eu" - fotos panorâmicas (lineares)


  Todo mundo já viu uma foto panorâmica. São aquelas fotos que são montadas a partir de várias fotos comuns, e com isso obtemos fotos amplas, com um ângulo de visão maior do que seria possível com as lentes comuns da câmera. Talvez, numa grande angular, ou numa olho-de-peixe, seja viável. Mas é impossível registrar 270 graus com uma foto só.
  Minha câmera tem um modo que facilita para tirar fotos panorâmicas. Basicamente você ajusta como será essa panorâmica (horizontal, vertical, um quadrado ou outro modo que eu não lembro), e a câmera muda o display interno para um modo no qual você tem a facilidade de ver a foto anterior, e assim tentar sobrepor a foto atual com parte da anterior.
  Depois, o que deve ser feito é colocar todas as fotos num programa para que todas as fotos sejam "emendadas". Claro que não é 100% perfeito, algum ajuste "na mão" temos que fazer. Mas eu, enrolado, fui adiando o processo de montar as fotos. Fiz um bocado de coleta de material para fazer fotos panorâmicas desde 2007, mas não tinha parado para providenciar um programa para fazer a montagem.
  Então, um dia desses, resolvi me coçar e procurar um programa para Linux para fazer isso. Lembrei de um artigo que li na Linux Magazine Brasil, sobre fotos panorâmicas. Procurei a revista, fui lá ler... E achei o Hugin. Bem, li rapidamente como funciona, instalei (embora use Qt), e comecei a "emendar" fotos.
  O Hugin tem versões para Windows, Linux e Mac OS X, usa outro programa (o AutoStich), e é um programa fantástico: Permite ajustes de lente para cada uma das fotos, trabalha com pontos de controle (para fazer a emenda), e tem muitos recursos, como otimizador de posição e fotométrico, entre outros ajustes. Alguns tutoriais que foram úteis foram o do prof. Waldeck, da UFSCar, os tutoriais do próprio site do Hugin, e a tradução mal-feita do artigo que saiu no Online Tech Tips.
  Montei então todas as panorâmicas que eu queria realizar. Algumas eu joguei fora (como uma da Lagoa de Saquarema). Outras ficaram bacanas (como uma de quase 360 graus que montei na Red Bull Air Race, em 2007). E algumas ficaram realmente lindas (como as que fiz em Búzios e Saquarema), a ponto da Cláudia querer fazer quadros. Todas essas fotos estão agora, reescaladas (porque são MUITO grandes) no meu álbum do Picasa, e estão acessíveis através desse link aqui.
De Fotos panorâmicas

  Como sempre, todas as fotos são oferecidas segundo uma licença Creative Commons, em específico a Attribution-Share Alike 3.0. Basicamente, você pode copiar, distribuir, exibir as fotos a vontade, e fazer obras derivadas, desde que você dê crédito ao autor original (ou seja, eu), e a sua criação derivada da minha foto siga pela mesma licença. Ah, uso comercial está liberado também, caso alguém descubra algum uso.
  Mas ainda continuava em busca das fotos HDR, que eu resolvi e falo no próximo post da "série".

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13 março 2009

Série "fotografia e eu": Em busca das fotos HDR

A primeira vez que ouvi falar de fotos HDR foi no blog do Rigues, mas confesso que as fotos que ele fez não me empolgaram muito. Mas achei o conceito interessante: HDR é uma técnica onde são feitas várias fotos de uma mesma cena com diferentes velocidades de abertura do obturador. Depois, essas imagens são reunidas e mescladas com um software apropriado, e com isso temos um alargamento do alcance dinâmico da foto. O alcance dinâmico (alto) é a distância entre o ponto mais escuro e o ponto mais claro de uma imagem. Dessa forma é possível obter fotos onde a variação de contraste é preservada. Nesse caso, os tons (escuros e claros) são enfatizados, com riqueza de detalhes. Para representar essas imagens em ambientes com limitada variação de contraste (como telas LCD, CRT, impressoras, etc), é preciso passar por um mapeamento de tons para dar uma limitada nessa variação grande, e assim poder ser algo visível.
E eu com isso? Bem, depois de ter visto fotos como essa aí do lado, me empolguei e resolvi pesquisar uma maneira de fazer fotos HDR com a minha câmera. Afinal, o efeito é fantástico. Só que o Rigues fez as fotos dele controlando manualmente a velocidade de abertura do obturador da câmera dele (na época, uma Sony P-72). Eu, como preguiçoso e adepto de software livre, imaginei que deveria ter uma maneira de fazer isso automaticamente, seja controlando a câmera externamente, ou algum macete, sei lá. Afinal, como é que se fazem fotos de relâmpagos, o fotógrafo não fica lá parado esperando Olhei para o meu netbook, e pensei: "Ora, se eu tiver um programa para controlar a câmera a partir dele, ele faz o papel de mexer nas velocidades, e bate tudo em sequência". Daí, fui pesquisar.

Nessa pesquisa, achei algumas coisas muito interessantes, como:
  • Digital Camera Controls - Esse site tem uma lista IMENSA de programas para controle da câmera digital, além de muita informação. Já foi para o meu del.icio.us.
  • Cam2Com - programa para controlar câmeras da Canon e da Olympus. Muito completo.
  • PSRemote - um programa que controla câmeras da Canon. Também muito completo, incusive com suporte a fotos HDR. Aliás, nessa URL tem outros programas para controlar outros modelos da Canon, até as DSLR bem sofisticadas (e caras).
  • Nikon Camera Control Pro - O programa da Nikon para controlar as câmeras dela.
  • PhotoPC - Um programa que controla várias câmeras, preferencialmente as que tem chipset Fujitsu. Existem modelos da Agfa, Epson, Olympus, Sanyo e Nikon com esse chipset.
Só que não achei muitas opções para Linux, quase tudo para Windows. Até que tive um estalo, e fui ver o gphoto2. Ele controla! Dá para passar vários comandos (tudo linha de comando) para a câmera, a partir dele, e fiz algumas experiências com ele. Bem, dá para automatizar, nada que um shell script não resolva. Só que descobri outra maneira de fazer isso com a câmera, e essa eu falo num próximo post da série.


Se gostou, é só procurar, na internet tem milhares de fotos HDR. No Flickr, por exemplo, tem vários grupos sobre HDR. Divirtam-se!



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27 fevereiro 2009

Série "fotografia e eu": As brincadeiras

Alguém já deve ter dito, depois de ter visto uma exposição do Sebastião Salgado, que para um bom fotógrafo fazer uma bela foto, basta ter uma câmera medíocre na mão. O corolário também vale: Para um fotógrafo medíocre fazer uma bela foto, basta ter uma câmera boa na mão e saber usá-la.

Antes eu tive uma Pentax comum, com um bom zoom ótico, e depois fui para uma Sony P-32, de 3 Mpixels, que está parada aqui por causa de um problema com um capacitor dentro dela. As pilhas esvaem-se rápido demais. Queria ver o custo do conserto dela, mas na Sony eu já sei que é proibitivo.

Agora, como fotógrafo abaixo do medíocre, tenho uma Canon Powershot S2 IS que é bem completa: Uma point-and-shoot com cara de DSLR, com 12x de zoom ótico e vários recursos. Como eu não sou nada profissional no assunto, é uma câmera que quero explorar a fundo seus recursos, e justamente... Não sei onde foi parar o manual. Tá, eu acho que baixei uma cópia da Internet, depois eu pego. Mas a quantidade de recursos que ela tem é muito grande, e eu quero explorar tudo, como bom fuçador que sou.
  • Um recurso muito útil que ela tem é a tela basculante: Dá para deslocar a tela LCD (que eu nem uso muito) para várias posições, facilitando (muito) a fotografia. Desde que comprei essa câmera, já bati muita foto sentado, sendo que a câmera estava na minha mão, bem alto, e a tela virada para mim. Prático se você é um fotógrafo de 1,95m tímido... Ou em várias outras situações, como a clássica tirar a foto de si mesmo, com uma mão só. Não dá para errar.
  • Outro recurso é o conjunto de efeitos já implantados na câmera: Desde a sépia e o P&B, mais comuns, passando por elevações nos tons de verde, azul e vermelho, até a troca de cor, on demand. Muito prático, eu diria.
  • Um monte de ajustes, que um fotógrafo menos fuçador (menos hacker, eu diria) não daria bola. Mas eu saio mexendo: Ajustes para iluminação fluorescente, de interior, incandescente, etc; fotografias de fogos de artifício, à noite, na neve (e eu nunca fui em lugar com neve), entre outras; ajustes de ISO (100 a 400), entre outros que não lembro. Opções de uso de controle remoto, de disparo contínuo (tire várias fotos de algo em movimento e fique com uma ou duas que são boas). Dá para brincar um bocado.
Em resumo, uma máquina que rende bons momentos de experimentações. O encaixe para tripé é o padrão (tanto que comprei o tripé antigo do meu pai e estou usando com ela), e usa 4 pilhas AA como carga (que você compra na farmácia e no mercadinho da esquina). Funciona bem com recarregáveis, tem bastante recursos para um fotógrafo curioso e novato como eu, embora faltem algumas coisas. E eu comecei a descobrir como resolver... Mas isso eu conto depois, no próximo post da série.

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