13 fevereiro 2014

Filosofações: Sobre impostos no Brasil

Fiquei matutando sobre o problema do Brasil quanto aos impostos. Confesso que nunca parei muito para pensar nisso, e concluí que nós pagamos muitos impostos para o pouco de retorno que temos, em termos de serviços públicos. Isso é o que revolta a todos. Não é que pagamos muitos impostos. Nós pagamos muito para o pouco que temos em retorno. Novamente, isto é revoltante. E afeta todas as esferas governamentais. Muitos tem a mania de apenas culpar o Governo Federal, mas a maior discrepância (o ICMS) é um imposto estadual.


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04 janeiro 2009

Filosofações: Uíndous, Leenocs e a mediocridade humana.

O Sturaro comentou no seu blog, num post que li recentemente, do pessoal que mete o malho no Windows, que diz aos quatro ventos que Linux é o caminho, a verdade e a vida... Mas ainda usa WINE e coisas do tipo para rodarem programas do Windows dentro do Linux - sendo que, no Linux, tem programas equivalentes. Li enquanto estava no aeroporto, fazendo uma hora e esperando o embarque da minha cunhada com o esposo para Fortaleza. Cheguei a postar, mas a rede da Vex, como é razoavelmente comum... FAIL. O Cesar bem que fala isso de monte, e é verdade. Ô tranqueira! Depois mandei um email reclamando da rede, quem sabe ajuda? Se não,
o jeito é perturbar o CTO da mesma, através do podcast dele. Que,
aliás, é excelente. Eu iria comentar, mas o que escrevi acabou crescendo, e pensei que renderia um post por aqui.

Bem... Antes de tudo, é importante fazer uma distinção do que é Linux para o que é software livre. É muito comum de que a mistura seja feita, talvez justamente por que uma instalação de Linux já compreender vários programas, em alguns casos quase tudo o que você vai precisar usar.
  • O Linux é o sistema operacional. Aliás, GNU/Linux é o nome certo para o que conhecemos como kernel. Este está na versão 2.6.28, de 24/12/08, e está em desenvolvimento contínuo há mais de 17 anos - quase a maioridade. O Linux tem suporte a quase tudo que pode ser ligado a um computador. Claro, tem coisas que não funcionam (Piter Punk que o diga), mas se não funciona, por que não reclamar com o fabricante de hardware, que não fez o driver para Linux? Fácil jogar pedra, né? Além disso, temos aí a maioria dos servidores do mundo, mais de 80% dos supercomputadores listados no Top500.org, etc e tal. Uma presença marcante e inconteste no mercado.
  • O software que é executado sobre o Linux, na sua maioria, é software livre. Claro, nem tudo é livre. Afinal, Maya, Mathematica, Maple e outros continuam comerciais, mesmo em Linux. Engana-se quem acha que tudo em Linux é livre ou tudo deve ser livre. A maioria é livre, mas nem tudo. E temos programas para quase tudo: De navegadores a suítes de escritório, de clientes de email a programas para desenho... Tem de tudo. Mas isso não é Linux, são os softwares que podem ser executados em cima do Linux. E boa parte deles (principalmente os que usam bibliotecas como a GTK+) tem versões para Windows.
Naturalmente, boa parte desses programas não tem todos os recursos das contrapartes pagas:
  1. Alguns vão dizer que o Gimp não tem todos os recursos do Photoshop, como não ter suporte ao sistema de cores Pantone. E no caso do Gimp nunca terá. Por quê? Porque para usar o Pantone, a Adobe paga pelo licenciamento, para cada cópia do Photoshop. E o Photoshop é pago, lembram? Pois é... O Gimp, pelo menos, tem curso zero.
  2. Talvez o BrOffice não tenha todos os recursos do Office 2007 (e também não tem aquela interface esquisita que, dizem, é melhor). Mas, e o custo? 0 x R$ 200.
  3. Cinelerra versus Adobe Première... Não, não dá para editar um blockbuster de Hollywood com o Cinelerra. Mas é possível que com o Première também não. E o primeiro? Custo zero.
  4. Inkscape x Corel também é luta perdida para o software livre. Mas o custo para o SL é zero. Um Corel X4 não sai menos do que R$ 1000.
  5. O tradicional choramingo por parte de pessoas que reclamam que no Linux não vem o suporte a MP3, e que você precisa pegar na Internet, e não sabe o por quê... O Instituto Fraunhöffer cobra US$ 1 de cada MP3 player ou por cada cópia de software que use o seu algoritmo patenteado. Logo, se uma distro Linux for baixada 1 milhão de vezes, serão 1 milhão de reais, certo? E eles estão no direito deles, de cobrar isso. Antes que reclamem, lembrem-se que o Windows também não tem suporte ao MP3 de forma nativa (tirando os Win XP por aí retalhados pelo nLite). A ferramenta, pelo menos, aponta qual o codec e baixa o mesmo para poder tocar o vídeo.
E por aí vai.

Mas aí vem a sempre presente pergunta: E você, precisa de TODOS os recursos que esses programas PAGOS oferecem? Você precisa MESMO de um Photoshop, em toda a sua glória e preço alto para apenas remover olhos vermelhos de algumas fotos feitas com câmera digital? Você precisa daquele recurso obscuro que só o Office 2007 tem? Você precisa de tudo o que os programas pagos oferecem como recursos?

Aposto que a resposta é quase sempre: "não, não preciso". Mas então, por que usam esses? Porque é fácil conseguir uma cópia não-autorizada deles, ora. O Photoshop não custa R$ 1500 para quem pensa assim. O custo não passa de R$ 10, pagos a um camelô na calçada. E assim vai para o AutoCAD, Delphi, e tantos, tantos outros.

Quando falo no título de mediocridade humana, é que muitos com um cérebro do tamanho de uma azeitona resolvem usar o Linux, e puxam a mesma lenga-lenga de sempre, que o Windows não presta, que o Windows é isso e aquilo, etc e tal. Mas ainda estão atrelados ao Windows, porque "o lado negro (cópias não-autorizadas) mais fácil é" (como diria Mestre Yoda). Estão atrelados não exatamente ao Windows, mas sim ao vício da cópia não-autorizada. São incapazes de procurar alternativas, e se puderem, rodam tudo em cima do pobre coitado do WINE.

Não basta tirar a cópia não-autorizada das mãos do homem, tem que tirar também de dentro dele. A mudança de mentalidade. Sou adepto do software livre, e prefiro em tudo o que eu faço. Mas se uma empresa quer ganhar dinheiro vendendo software proprietário, ela tem esse direito, e deve ser preservado. Não se deve justificar a cópia não-autorizada apenas pela falta de dinheiro. Procura-se uma alternativa, "dá-se um jeito".

Certa vez ouvi de um aluno: "Ah, professor, e o senhor acha que esses caras (a ABES) vão dar uma batida e pegar as lan-houses e eu, lá dentro da CDD, onde eu moro? Nunca!" E a polícia está ocupando há quase 2 meses... Mesmo com o risco da implantação de mais uma milícia. Não é a cópia indiscriminada que incomoda, é a impunidade, e saber que está errado, mas nem por isso achar que está errado. Lamentável, meu coração como educador entristece-se. Mas falo disso outro dia.

Voltando ao Windows: Uso Linux há mais de 10 anos, e somente Linux em casa a pelo menos uns 5 anos. E digo que, para mim, o Windows não tem função alguma. Como jogo pouco (a principal razão para prender usuários ao Windows), ficou fácil para mim. O Windows, para mim como usuário é completamente desnecessário, visto que tudo o que eu faço no micro, faço no Linux sem precisar do Windows. As únicas coisas que preciso é algum programa específico ou o lançamento de notas de uma das instituições de ensino em que leciono (que tem que ser no IE). Resolvo isso via máquina virtual mesmo, num Windows XP legalizado, do meu antigo notebook.

E como diz meu irmão, "Windows tem prazo de validade, depois de alguns meses vence e você tem que reinstalar tudo!". Sim, sim, você pode usar o recurso da imagem para restaurar, mas... E se você não fizer imagem? Essa é a questão: Um sistema não deveria ser robusto o bastante para suportar atualizações, coisas do tipo? Pelo visto não. Mas... O caso é que o Sturaro está certo nesse assunto: Muita gente que arrota a superioridade do Linux (que, na minha opinião, é inconteste), mas não consegue/quer viver somente com o software livre. É melhor? Na minha opinião, sim, é melhor em quase todos os aspectos. Mas só quem pode realmente falar isso, é quem o usa no dia-a-dia. E o que mais vejo é gente que fala muito bonito, mas na prática não usa. É fácil falar, o difícil é fazer e viver o que se fala. E infelizmente, a "comunidade de software livre" está cheia. E lembre-se:

Windows é que nem o Governo Lula: Tornou-se um esporte falar mal dele, mas ninguém quer pensar e criticar. Pelo contrário, querem jogar pedra, sem motivo.

PS: E alguns desses ainda se acham os melhores porque usam Slackware. Como disse um ex-aluno meu: "./configure ; make ; make install é fácil. Quero ver quando tudo dá problema." E é verdade, é muito fácil falar o que falam, sem embasamento algum.

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08 novembro 2008

Acho que o Blogblogs tem problemas...

Estou dando uma olhada na minha conta do Blogblogs (coisa que faço semestralmente, quando lembro), e descubro que o Sidney Rezende, jornalista da rádio CBN, é meu fã, segundo o Blogblogs. Hum... Não sei, mas acho que tem algo errado aí, principalmente porque ele aparece três vezes na lista de 11 fãs que eu tenho. E não é o único que aparece mais de uma vez.

De qualquer forma, se ele já perdeu tempo lendo essa joça, a ponto de dizer que é meu fã, fica o meu agradecimento encabulado, e também dizer que gosto muito de ouví-lo, no CBN Rio. Por mais que eu tenha certa prevenção contra as Organizações Globo (nada de um discurso pseudo-esquerdista-que-todo-acéfalo-emite, apenas cautela), eu gosto muito de ouví-lo, por preocupar-se em dar a notícia, e não transformar tudo em cavalos de batalha, a mero pretexto de "estar revoltado". Ricardo Boechat, em compensação, está cada vez mais assim no mesmo horário, o que tem me feito sair da Band News.

Mas eu falo melhor disso num próximo post, da série "filosofações".

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14 junho 2008

Filosofação: Qual o problema de ter tanta distro de Linux?

Estou tentando tirar o meu atraso das notícias do BR-Linux, e vejo muita gente questionando o lançamento de outras distros. Vi uma lista do qual nunca ouvi falar, e resolvi reproduzir: PapugLinux, LG3D, Deep-Water, SchilliX, Komodo, Momonga, BeaFanatIX, Mutagenix, Fermi, Pingwinek, Mayix, elpicx, AnNyung, Xteam, VNLinux, Plamo, Condorux, Wazobia, TumiX, Omoikane, NuxOne, Julex, JoLinux, Hacao, Ehad, Burapha, Truva, Trisquel, Thisk, Taprobane, Pilot,
Karamad, Gelecek, Swecha, Niigata, Dzongkha.

Que tal? Pois é... Há os dois lados da moeda:
  1. Há quem reclame, dizendo que o tempo investido em fazer uma nova distro apenas mudando as cosmética da distro poderia ter sido investido em aperfeiçoar outra distro.
  2. Há quem defenda o direito e a liberdade de construir o que se quer. Afinal, o Linux From Scratch é democrático, não seleciona quem pode e quem não pode fazer uma distro.
Bem... Sendo breve, é bom e ruim ter várias distros.

Poderia se investir numa distro mais "tradicional" e melhorá-la, ou criar uma distro "nova", em cima da anterior? Normalmente o caminho preferido por alguns é a segunda opção. E por quê?
  • Necessidade de auto-afirmação é uma das opções. Tem gente que quer ser afirmar (e no caso, muitos são adolescentes, fisicamente ou mentalmente falando), e por isso acabam querendo usar as distros tidas como mais cabeludas (se você pensou Slackware, pensou certo). Por quê? Atrai status, ganha-se pontos fazendo a sua própria distro. Não se conquista uma nova namorada, mas conta pontos nos canais de IRC da vida. Quem não lembra do tempo em que pipocavam distros derivadas do Kurumin? Era ainda mais fácil customizá-la, bastava descê-la toda para o HD, e dali sair alterando algumas coisas... Pronto, uma nova distro a caminho. Alguém usava? Se bobear, nem o desenvolvedor... Certa vez perguntei a uma namorada qual era a distro que o irmão dela (caçula) usava. Ela perguntou a ele e voltou: "É Isléqui". Respondi: "Fala com ele para parar de querer aparecer", foi o que eu respondi. Dispensável dizer que ela não entendeu.
  • Outra opção, no caso, vem de empresas, que querem "vender" a distro (na verdade o serviço englobado por ela) para empresas que vão instalar nos seus micros que encaixam no programa "Computador Para Todos", e assim, poderão ter os descontos de impostos, mesmo quando a máquina for reformatada e um Windows XP pirata tomar o seu lugar. Isso é muuuuito comum. Já viram as distros que aparecem nos micros do programa? Eu nunca ouvi falar, mas mesmo assim me nego a explicar a alguém como removê-lo e colocar um Windows XP pirata. E a minha consciência, como fica?
Agora, não podemos negar a ninguém o direito da diversidade: "A beleza do Universo está na infinita diversidade das suas infinitas combinações". O que seria do vermelho se não fosse o verde? Na boa, deixa acontecer. Nesse campo, a Teoria da Evolução acaba funcionando: Só resistem os mais fortes.

Enquanto isso, um bando de ridículos (alguns dos quais eu conheço) ficam dizendo que Windows é melhor por conta disso, é um só... Sempre ouço que um dos grandes problemas do Linux é a imensa variedade de distros. E já foi gente de tudo que é canto dizendo isso: InformationWeek, ZDNet, Fórum PCs. No Distrowatch citaram 359 distros relevantes. Fora as "fazidas por eu".

E daí? Existem centenas de modelos de câmeras digitais, de dezenas de fabricantes na praça. E sempre que me perguntam, sempre indico câmeras de 3 ou 4 fabricantes (e desaconselho câmeras de mais uns 3). É uma variedade imensa. Mas a gente se vira. Mesma coisa com o Linux: Não existem umas 10 ou 15 distros que realmente sobressaem? Aqui em casa sou ecumênico: Fedora no desktop, Ubuntu no notebook, Gentoo no servidor, e OpenWRT no roteador. Trabalho com Ubuntu, estou tentando montar um curso de administração de servidores Linux com CentOS, penso no Foresight Linux para uma solução específica, no trabalho...

Poderia ser mais focado? Sim, poderia. Mas não é. E vamos ficar brigando por isso? Deixemos para lá, gente. Vamos em frente, e vamos continuar crescendo. Aos poucos, devagar... Já que o Linux está pronto para o desktop. O usuário é que não quer mudar. E não vai adiantar fazerem instaladores com Inteligência Artificial, clonar o look-and-feel dos programas mais comuns, ou fazer métodos estúpidos de instalação (Próximo, Próximo, Finalizar). Não adianta, usuário não quer. A única maneira é combater a pirataria. E usuário, nessa categoria... Tem mais é que ser arrochado pela pirataria MESMO. Propriedade intelectual é coisa séria. Mas isso é papo para outro post.

PS: Nada contra Slackware. Tenho alguns bons amigos que usam Slack (inclusive o PiterPunk), mas o que eu vejo de adolescente querendo se afirmar usando-a... São poucos os que realmente metem bronca e usam-na, desenvolvem e fazem algo. Lamentavelmente.

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Filosofações: Tão subdesenvolvido...

Semana passada levei meu carro para lavar, devia a ele um banho decente há alguns meses (o último foi no dia em que casei). Feito o serviço, peguei o carro, tinindo de limpo. Inclusive colocaram jornais sobre os tapetes, e dali vim para casa.

Como sou muito curioso, e criei o hábito de ler muito, resolvi olhar o jornal que lá tinha sido estendido, numa folga, com o carro parado. Era uma folha do Extra, jornalzinho carioca do grupo d' O Globo, e que falava do concurso Mrs. International. Fui estender a leitura.

Esse concurso é que nem os antigos concursos de misses, com uma diferença: É feito com mulhares casadas. Curioso, isso. E o jornal falava da candidata brasileira, Adriana Jackson. Ela tem algo próximo da minha idade (acho que 34 anos), e é casada com um estadunidense, é professora primária em Salt Lake City, no estado de Utah (sede da Novell),e vai participar desse concurso. Até aí nada, tem um texto escrito por ela no G1 (aquele tipo de matéria em que você é o repórter, meio que uma tentativa de fazer as pazes com alguns blogueiros) e a matéria do mesmo site está aqui.

O que achei curioso, e motivou o título da matéria foi a abordagem que o Extra deu para um detalhe da notícia, dizendo que ela vai nas escolas "fazer propaganda" do Brasil, apresentando a nossa cultura. Quando vamos ler a matéria no G1, vemos que a coisa é um pouco diferente, que ela é professora, que vai às escolas divulgando o concurso, e as pessoas tem interesse em conhecer. Aí ela apresenta.

Uma preocupação que temos, como brasileiros, muitas vezes é "divulgar" a nossa cultura. Falar que aqui não somos terra de ninguém, que os macacos não andam nas ruas, e nem usamos sucuris como quebra-molas. Que aqui temos muito mais do que samba, carnaval e mulher pelada. Que temos uma economia que cresce (apesar dos pesares, cresce), um povo solidário, um clima privilegiado (minha avó, polonesa, adorava o calor do Rio de Janeiro), música fantástica (que eu não gosto, mas respeito), futebol de primeira... Tantas coisas boas. Somos iguais a todos, e melhores em muitos aspectos. Piores em outros, é verdade. E por que é que precisamos ainda ficar divulgando por aí o que somos, dizendo que somos bons?

É claro que uma crítica como aquele episódio d'Os Simpsons nos incomodam a todos. Mas há a licença poética: Podemos falar tudo dos estadunidenses, menos que eles tem auto-crítica. São o povo que mais satirizam a si mesmos, e o desenho supracitado já satirizou os estereótipos dos japoneses, australianos e de tantos outros. Por que não a gente, aqui? Na boa... Whatever, eu também preciso me incomodar menos.

Nélson Rodrigues dizia que tínhamos "complexo de vira-lata". Infelizmente, ainda temos um pouco (ou muito), ainda precisamos dizer a nós mesmos que somos bons, para que acreditemos. Ainda precisamos ouvir de estrangeiros que visitam o nosso país que ele é lindo, que é maravilhoso, que gostaria de vir morar aqui (mesmo que seja mentiroso da parte deles), essas coisas. Claro que nos alegra ouvir de gente como Will Eisner que só não vinha morar no Brasil porque não conseguia aprender o português, e que os quadrinhistas brasileiros tem qualidade, e devem falar com os outros mercados. Ou de uma cantora de uma banda de rock inglesa, dos anos 80 (achava que era a Chrissie Hynde, do Pretenders, mas vi que não era) que estava morando em São Paulo e a sua vontade era ficar cantando MPB em barzinhos na capital paulista. Mas isso não é tudo, temos valor pelo que somos.

Temos mania de valorizar o que vem do exterior, e convivi muito disso de perto, com meu pai, que viveu a influência de supervalorizar o que vem de fora, nos anos 60, 70 e 80. Só que ficar valorizando os outros, em detrimento de nós mesmos... Ah, isso é tão subdesenvolvido... Que a gente faça isso cada vez menos. Que sejamos nacionalistas, mas que não sejamos tolos.

PS: Um detalhe sobre a minha motaivação inicial para escrever esse texto (lá em cima, vai lá olhar!): Ela é negra (ou mulata, como queiram chamar), e moradora no estado mais mórmon dos EUA, onde dizem, até o lago salgado é seguidor de Joseph Smith. E os mórmons tem a fama (não sei se justificada) de serem racistas (dizem que a "marca" de Caim foi a cor e o nariz, essas coisas). Agora, como ela se vira por lá?

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29 março 2008

Filosofações: Crônica de um jovem casal

Por questões de direitos autorais, pirataria, uso de MP3, coisa e tal, não dá para colocar a música tocando enquanto vocês lêem esse post. Mas se tiverem, coloquem por aí aquela música do Legião Urbana, "O mundo anda tão complicado" para ouvir, como música incidental.

Nota: Partes desse post estão escritas desde o último feriadão, que foi o Carnaval. Logo, vou tentar adaptar.

Às vezes me perguntam como vai a vida de casado. Eu digo que vai muito bem. Tirando a finalização da obra, que segue a "passos de formiga e sem vontade", tem sido tudo muito bom: A descoberta do dia-a-dia, dos jeitos, manias, os detalhes, as coisas simples feitas juntos, os medos... Hoje mesmo fui tentar ajudar a Cláudia a vencer o medo dela de cachorros. Aqui no condomínio tem 3 cães "do condomínio", e 2 pertencentes a moradores, que vivem meio que soltos. E ela tem medo deles, que não perturbam quem eles conhecem. Já foi pauta de reunião de condomínio, já teve discussão a respeito, tem gente a favor e contra... Tranqüilizei ela dizendo: "Se latir, ignore. Se avançar, chute. Se morder, eu mato.". Acho que ela se acalmou, e foi em frente.

E uma das novas práticas da vida de casal é ir ajudar a esposa a fazer compras. Semana passada mesmo foram três mercados no mesmo dia, na luta incessante da dona-de-casa de fazer a melhor economia, comprar o melhor pelo menor preço. Suspeito fortemente que isso dá prazer a elas, essa busca feita com os ouvidos atentos em comerciais de TV, anúncios em rádios, e os sempre presentes encartes. Procura aqui, pesquisa de lá... E vamos às compras.

E, quem conhece o Guanabara, aqui no Rio, sabe que ele tem normalmente promoções muito boas, e um atendimento péssimo. Já disse por aqui que "ir ao Guanabara é ver o o pior do ser humano:" Funcionários mal-treinados, atendimento ruim, filas imensas, clientes mal-criados... Nada contra o meu vizinho superintendente da rede, mas o empregador dele... É péssimo. Deve ser pior do que português.

Começamos pela incrível jornada atrás de um carrinho. Murphy explica que "quando você precisa de um carrinho de compras, aí mesmo é que você não o encontrará". Principalmente se for de noite, véspera de feriado e dia de promoção boa. Os três fatores conjugados são como salitre, carvão e enxofre: Juntos formam uma mistura explosiva, que começa no sumiço dos carrinhos e termina na fila interminável do caixa.

E falando em uma das paixões (ou ódios) nacionais, fila da carne em dia de promoção (como hoje) ultrapassa os 35 metros de comprimento e a uma hora de espera. No final, não tem jeito: "Faz valer o meu esforço aturando a fila... E pega mais um pedaço de alcatra, vai!" Quase R$ 3,50 por quilo a menos quase justifica o esforço.

E por aí vai, os frios esquentando a "mufa" dos clientes, e o pega-não-pega nas gôndolas, as promoções... Numa das vezes, pegamos quatro promoções seguidas. Isso deve gerar serotonina nas donas-de-casa, a correria em alguns casos chega a ser engraçada.

E eu? Bem, na medida do possível ajudo pegando os itens que não requerem o olho apurado da dona-de-casa (e que Cláudia está começando a afiar), e é só ver a validade, pegar e levar. Claro, comprar uma besteira ou outra no caminho, afinal, a conta de alimentação não é minha... Tem outras que estão comigo, mas agora não vem ao caso. Andei propondo à Cláudia irmos às compras com dois carrinhos e usar um par de rádio-transmissores para comunicação. Deve funcionar para compras maiores, em vista de acelerar o penoso processo.

Mas uma coisa é certa, e necessária: Parafraseando Raul Seixas, para a maestria das donas-de-casa, "eu tiro o meu chapéu" (10.000 anos atrás). Elas estão de parabéns.

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22 outubro 2007

Filosofação rápida: Sobre comunidades e mudanças

Hoje, segundo o cronograma da EMOP, entra o primeiro trator para iniciar reformas no Complexo do Alemão. Segundo essa entrevista, que o diretor da EMOP deu ao Conversa Afiada, serão R$ 495 milhões reformando essa comunidade TODA, e mais um tanto ainda na Rocinha e em Manguinhos. R$ 1 bilhão, concentrado em três comunidades, para transformar esses espaços para melhor.

E, por mais que muitos torçam o nariz para esse investimento, tirando o questionamento se essas pessoas merecem ou não, etc... Será bom para a cidade, indiretamente. Porque quando ocorre mudanças em comunidades (e não maquiagens, ou paliativos), isso reflete em menos tráfico e menos violência. Vai demorar para perceber as mudanças, mas tenho esperança de que vá realmente mudar. Para melhor.

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14 outubro 2007

Filosofações: Um dos privilégios de ser professor

Uma das coisas boas da carreira é conhecer gente. Com todas as mazelas, dificuldades e problemas da profissão, uma das coisas boas de ser professor é justamente conhecer pessoas, no caso alunos. E a gente, queira ou não queira, se envolve com eles, nem que seja um pouco. Professores normais, claro. Existem colegas que tratam o aluno com uma distaaaaaaaaaaaaaaaaaância daquelas.

Alguns tornam-se ex-alunos (e ex-alunas), e viram amigos. Tenho exatas 352 pessoas penduradas na minha ficha do Orkut, sendo que 99 ex-alunos. 1 a cada 3,55 pessoas, o que é um índice alto. Pelo menos eu acho.

E ontem eu tive a oportunidade de rever alguns que tornaram-se amigos ao longo dos anos, e lideraram o grupo cristão da escola onde leciono. Eu, como professor, participava do grupo (*), não fazendo parte, mas apenas como um apoio. Eu era o único professor que ia ao Projeto Vida, e lá congregava com eles, irmãos em Cristo e... Adolescentes. Ouvi e falei, aprendi muito com eles, e acho que consegui contribuir um pouco com a vida deles.

Pois é, ontem tivemos um encontro, daquela geração tão boa e divertida, que passou pela minha escola. Foram momentos muito bons, de conversa, de bate-papo, e de constatações... Não vou citar nomes, mas queria comentar como as coisas mudam, em pouco menos de 4 anos:
  • Um engordou 25 kg, está finalmente estudando Direito (fez prova para a PM, abandonou, e foi cursar Ciência da Computação. Abandonou também), e está trabalhando fazendo manutenção de torres de celulares, wireless, essas coisas. Vai casar no ano que vem.
  • Outra, que nadava e competia, hoje em dia não quer nem saber de piscinas. Não está trabalhando diretamente na área, e por enquanto não se animou a encarar uma faculdade.
  • A amiga dela, em compensação, quando aluna veio me perguntar o que eu achava dela ir estudar Matemática. Eu dei o maior apoio, e o resto vocês lêem nesse post aqui, de quase 2 anos atrás. Hoje ela está cursando mestrado em Estatística, pensa num doutorado... Mas o pai dela não mudou, continua sendo muito severo com ela, o que não justifica. Para entenderem, uma frase trocada ontem:
- "Seu pai conheceu algum dos seus namorados?"
- "Não".
  • Tem um que está trabalhando na empresa em que ele começou a estagiar. O estágio virou emprego, mudou de igreja, terminou o noivado, está morando sozinho... E foi o anfitrião de ontem. Tentou vestiba, passou mas não cursou... Mudanças de vida.
  • Um outro se casou tem 2 semanas. Eu iria ser padrinho, mas nos enrolamos tanto, que ele nem conseguiu entregar o convite. Infelizmente não foi ontem, porque resolveu arrumar a torneira do banheiro, e terminou o dia com metade da parede quebrada, para achar um vazamento. Melhor sorte para ele.
  • E tem mais um, que largou o curso técnico de Enfermagem (mas vivia na Informática) não concluiu o segundo grau (até hoje), quase abriu uma loja de roupas, ia para o Tocantins "fazer dinheiro" (não, ele não iria vender espelho a índios, mesmo porque o povo de lá é mais esperto do que ele pensa), e agora trabalha numa empresa de informática. E continua um piadista de primeira.
Dos outros, poucas notícias. Lembro de um último, que se casou, e outro, que não tenho maiores notícias. Época boa, essa. Um deles confessou que chorou ao entrar de novo na escola, lembrando do tempo que estava lá. Tempo bom... Que não volta. "Eu era feliz e não sabia", talvez alguém teria pensado. Mas não é o tempo que passa rápido. É a gente que não se apercebe dele.

Esse que casou tem 2 semanas, falou para mim que eu era um exemplo para ele. Logo eu, imperfeito e remendado, do jeito que eu sou? Eu fiquei completamente sem graça, como quando fizeram uma comunidade em minha homenagem, no Orkut. E eu nunca pensei nisso, nossa... Aí nós nos damos conta de como agimos, e do que somos.

Foi um encontro ótimo, e irão fazer outros, espero. Eu me diverti à beça, foi muito bom revê-los todos. Esperamos poder conversar mais.

(*) Hoje em dia a administração da rede e outros afazeres, fora algumas insatisfações com a liderança de então, me afastaram do grupo.

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27 julho 2007

... e chegou a censura

Hoje vou numa das instituições onde trabalho, para arrumar diários. Diga-se de passagem, tarefa assaz incômoda, visto que o sistema informatizado acumula todos os dados das turmas... E no final somos obrigados a lançar tudo novamente, em papel, à mão, no diário. De novo. É um trabalho hercúleo e ao meu ver, tolo. Por quê não gerar uma folha final da turma toda, e o professor assina, apenas? Mas eu gastei uma hora do meu longo e trabalhoso dia refazendo diários, corrigindo lançamentos do tipo "Não houve aula" para "Recesso", apenas... Sim, isso é muito chato, principalmente porque eu trabalhei em outras instituições, também fiscalizadas pelo mesmo Ministério da Educação, e não via essa preocupação tão zelosa com diários... Bem, o problema é o gasto de combustível e o tempo perdido. Mas esse ainda não é o assunto do post.

O assunto é que eu fui censurado. Sim, censurado. Pessoas da direção da instituição acharam esse meu blog, que vocês conhecem, leram alguns posts (para ser exato, alguns posts em que falei sobre a instituição), e expressei a minha opinião. As mesmas pessoas vieram a falar com o coordenador para que eu editasse os posts, para não difamar a instituição. Ou algo assim. Ou seja, fui censurado no meu direito de manifestar a minha opinião.

Sei do poder dos blogs. Afinal, o Engadget foi enganado por um post falso vindo da Apple, publicou e as ações da empresa causaram um total de desvalorização de US$4 Bilhões. Isso é uma amostra do poder dos blogs hoje em dia. Embora o meu blog não consiga nem chegar a 200 leitores diários, e eu duvido que algo que eu fale aqui tenha algum efeito sobre algo além do meu dia. E lembro do caso do funcionário que foi demitido por postar no blog sobre a empresa onde ele trabalhava. Patinada feia, a dessa funcionária. Tenho amigos que evitam ao máximo falar de trabalho nos seus respectivos blogs, por diversos motivos. No meu caso, eu falo porque:


  • Envolve mais o meu dia do que a leitura de feeds RSS, audição de podcasts, leitura de emails, etc.
  • Sempre rende uma história curiosa/engraçada/bacana/interessante/tudo junto ou nenhuma das respostas anteriores.
  • Sinto-me no direito de extravasar os sentimentos de raiva, ira, angústia (ou qualquer outra que o valha) que o meu trabalho me gera.
  • Sempre achei que não havia a necessidade de esconder a minha opinião, sob pena de sofrer alguma advertência.

Claro, há muitas coisas que eu guardo para mim. Não há a mínima intenção em mim de difamar, caluniar ou ofender ninguém nos meus posts. Simplesmente falo o que penso, e às vezes acabo rasgando o verbo. Mas quem conversar comigo pessoalmente, saberá o que penso sobre diversos assuntos com mais riqueza de detalhes. Há muita coisa que não compensa declinar em público. Bem... Parece que querem cortar a minha voz.

Não, não vou fazer um discurso a favor da liberdade de expressão, denunciar a censura à Fundação da Fronteira Eletrônica, ou coisas do tipo. Vamos fingir "que todas as pessoas são felizes" (como diria Renato Russo), e vamos tocando o barco. Não vou dizer quais são os posts para não dar corda a essa situação, e nem vou por links aqui. Aliás, vou evitar citar, não por ter medo de censura, ou represálias, mas por achar que quem se preocupa com um abalo na imagem "ilibada" por conta de um post casual de um funcionário, num blog perdido num canto da Internet (que eu considero simplória demais para ser minimamente notada)... Estão ficando paranóicos demais. E quem acompanha os meus posts, deve imaginar de quem estou falando, e deve saber com razoável precisão o que penso. Quanto a esse ato, só soma na lista. Um dia eu falo dela. Para eles.

E como diria Ibrahim Sued: "Os cães ladram e a caravana passa". Vamos em frente.

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20 julho 2007

Mais algumas filosofações sobre Congonhas, aviões e coisas do tipo

Pelo visto, as investigações preliminares mostram o que eu tinha pensado: Algo aconteceu para que esse avião virasse para a esquerda e atingisse o prédio da TAM Express. Segundo apareceu ontem na imprensa, a hipótese de falha mecânica ganhou força. Mais uma falha mecânica no currículo da TAM? Pelo visto, sim. Segundo falaram, TAM admite defeito em avião, mas nega que falha tenha causado acidente. Well, então porque o avião girou para a esquerda? O piloto tentou fazer um cavalo-de-pau (puxa o freio de mão e gira o volante, bicho...)? Mas por quê?

A Agência Brasil sacramentou: Abertura de reverso durante decolagem provocou acidente da TAM, o que é perigoso. As caixas-pretas estão sendo abertas, e as informações, só semana que vem para começar a ter alguma idéia. O acidente da Gol com o Legacy, alguém aí já viu a conclusão do inquérito? Ainda não saiu, é lento e demorado mesmo. Mas a a Globo já tinha lavrado o auto de culpa para o governo federal, mas parece que já voltou atrás, ou tentou voltar. Um dos pseudoeruditos da Folha de São Paulo disse que “O nome certo do que ocorreu é crime. O GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS.”. E isso saiu na primeira página...

Pousar sem o reverso é possível, mas mais difícil, pelo visto. E numa pista levemente molhada, fica escorregadia (quem dirige, sabe o problema que é uma fina camada de água sobre o asfalto). Pelo visto, tudo indica que foi isso. Enquanto isso, estão fazendo cavalos-de-batalha, e exigindo pronunciamento da Presidência da República... Para dizer o quê? Que me desculpe a Lucia Hippolito, mas não vejo necessidade do presidente abrir a boca para dizer o que todos já sabemos: Que todo o Brasil chora a morte de tantas pessoas inocentes. Precisa mesmo? O que eu acho que ele pode realmente fazer é botar os incompetentes para fora do governo, a vassouradas. E falar o quê, que foi uma K-gada (com K maiúsculo) da TAM não fazer a manutenção do reverso? A comparação que ela faz é com os EUA. Mas lá, o sonho de todo garoto é virar presidente. Aqui isso não tem tanta força. Sinto, mas discordo veementemente.

Ah, antes que eu troque de assunto, reparem no vídeo abaixo:


Olhem bem para o avião. Você vai ver um clarão surgindo na asa esquerda, pouco antes do choque fatal. Lâmpada estourando? Fogo na turbina? Explosão? Sabotagem? Coincidência? Sei lá. Só



Ao contrário do Cesar, para mim não é a solução de SP ter 4 aeroportos. Existem várias medidas que podem ser tomadas, de forma a equilibrar a questão delicada que é o tráfego aéreo sobre terras paulistas:


  1. Remanejem os vôos de conexão para outros aeroportos. Pode ser Cumbica, Viracopos (Campinas) ou mesmo o Galeão, aqui no Rio. Quando eu fui a Brasília, de avião (finada Transbrasil, no ônibus aéreo noturno), o vôo saiu do Rio, parou em Congonhas e seguiu para Brasília. Muitos dos vôos fazem parada em Congonhas, mesmo que seja para os passageiros trocarem de avião, ou ficarem sentados, esperando o avião descarregar uma centena de pessoas, para pegar outra centena. Se mudarem esses vôos de conexão para outros aeroportos, já diminuiu o tráfego em uns 30%, pelo menos. Claro, não há intere$$e$ econômico$ nisso, que vem desde a infame taxa de embarque até o shopping center que Congonhas virou.
  2. Cumbica tem um acesso horroroso, Viracopos não fica atrás. Então facilitem o acesso. O governador de SP está falando toda hora a respeito do acidente, dizendo que é preciso mexer no sistema aeroviário, blah blah blah blah. Quer fazer algo prático? Monta uma linha de metrô de superfície até Guarulhos. Coloca um sistema eficiente de ônibus (MAIS BARATOS do que o Airport Bus Service, claro) até lá. Coloca um trem rápido até Viracopos (que é longe até do centro de Campinas). Facilita o acesso que já vai ajudar muuuuuito.
  3. Aumentem Cumbica. As poucas vezes que passei lá, notei que o aeroporto é imenso. Mas, se lembro bem, tem espaço para crescer ainda mais. Façam o terminal 3, com mais uma pista de pouso, e joguem os vôos interestaduais maiores para lá. Foi o que fizeram no Santos Dumont, como o Cesar lembrou bem. E até aqui está tudo indo bem.
  4. Incrementem Viracopos. É o maior aeroporto de carga do Brasil, mas quase não sobe passageiro de lá. Joguem os vôos de conexão para lá, dêem uma incrementada em Viracopos, que já vai dar uma grande ajuda.
  5. E por último, expliquem à elite paulistana que não tem jeito. Em quase todas as cidades, os aeroportos são longe pra caramba dos centros das cidades. Pergunte a quem mora em BH onde fica o aeroporto de Confins. É provável dizer que fica nos confins do mundo. Se lembro bem, fica BEM longe do centro de Belo Horizonte. Não tem jeito, só no Rio é que você pode ter o luxo de ter o aeroporto perto (Santos Dumont e Galeão), e na beira da água. Se cair, os passageiros podem até morrer afogados. Mas não morrem queimados.

Um novo aeroporto é uma obra caríssima, complicada e demorada. Não vai resolver de forma imediata os problemas, pelo contrário: Vai aumentar as despesas, e daqui a pouco está esganado. Aliás, quem deixou construírem ao redor de Congonhas? E quem deixou colocarem um posto de gasolina na cabeceira da pista? Pois é...

Agora voltaram à baila a história do trem-bala entre Rio e São Paulo. Será que dá certo? Será que sai? 90 minutos entre as duas capitais, e adeus ponte-aérea. Tentaram o "Flecha de Prata", há pouco tempo, mas não deu certo. Era caro e lento. Well, vamos ver, só acredito vendo, assim como a Linhas Verde e Roxa, metrô por baixo da Baía de Guanabara, VLT da Barra à Penha, e tantas outras promessas. É... Só vendo.

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18 julho 2007

Filosofações sobre o acidente da TAM

Como todo o Brasil, estou muito triste com o acidente com o avião da TAM. Fiquei sabendo através do Dr. Venom, resumido no seguinte diálogo:


  • Venom - Caiu um avião em São Paulo, você soube?
  • Eu - Não...
  • Venom - Minha mãe ouviu e me falou.
  • Eu - Hmmmm... Foi onde, no interior?
  • Venom - Não, na capital.
  • Eu - Foi um monomotor?
  • Venom - Parece que foi um Boeing.
  • Eu - UM BOEING? Meu Deus...

Estávamos ontem indo encontrar o Márcio Lima, que está no Rio, de folga do trabalho dele, e tivemos que nos sentar na frente de uma televisão, no trailer onde comemos um sanduíche, para nos informar do fato. Infelizmente, foi no Jornal Nacional, mas isso não diminuiu a tristeza e a consternação que nos acometeu.

O prédio da TAM Express é meu velho conhecido, de idas e vindas de Congonhas. Ele era o meu ponto de referência, para saber que estávamos chegando ao aeroporto. Ao longo do dia (e até agora) estou com dor-de-cabeça (coisa rara para mim) e cheguei a embargar a voz uma ou duas vezes. Quem me conhece, sabe que não sou muito de ficar chorando... Mas fiquei pensando que poderia ter sido eu, fazendo o percurso, ou um amigo meu... 200 mortos, meu Deus!

Para variar, tive que sair de casa e ir resolver um monte de coisas. E passei boa parte do dia ouvindo a CBN e a Band News FM, que dedicaram a maior parte da programação à essa tragédia. Ouvi as entrevistas dos representantes da TAM, da ANAC, da Infraero, e os noticiários, que entrevistaram meteorologistas, especialistas em segurança aérea, engenheiros aeronáuticos, bombeiros... Claro, estou ouvindo também muita besteira vinda dos noticiários, e resolvi relatar algumas aí embaixo.


  1. Disseram que o avião voava com excesso de peso - O peso do avião era de 62,5 toneladas, e segundo os cálculos, ele poderia pousar na pista molhada de Congonhas com até 64,7 toneladas. Logo, ele estava dentro do peso.
  2. A solução para Congonhas é diminuir o tráfego aéreo - Bem, Congonhas já operou com 62 operações/hora, entre pousos e decolagens, mesmo antes da reforma (inacabada) da pista. Agora, ele está operando com 38 operações/hora, ou seja, com uma carga reduzida. Então, não é esse o caso. Além do mais, não foi um choque de aviões, ocasionado diretamente por causa do tráfego aéreo (como foi o acidente entre dois 747 nas Ilhas Canárias, em 1977).
  3. Disseram que o problema era a falta do grooving, que são as ranhuras na pista, para aumentar o atrito - Eu sou curioso, e sempre que posso, observo todo o procedimento de decolagem e aterrisagem. Lembrem-se que eu sou um "piloto frustrado". Quando o avião pousa, ele abre todos os flaps e ailerons (quando era criança eu sabia exatamente o que abria e o que fechava, hoje em dia não) para aumentar a área de resistência ao ar. E o avião pousa, em média, a 350 km/h. Feito isso, as turbinas são revertidas, à toda, para parar o avião na pista. Por último, as pastilhas de freio são acionadas, para parar o avião. Logo, a frenagem é a última coisa a ser usada para parar o avião. O atrito gerado pelo grooving (se é que existe) não ajuda em quase nada. O principal objetivo do grooving é o que coloquei no item de baixo.
  4. Também disseram que o problema era a pista molhada, e se tivesse o grooving, o acidente não teria ocorrido - Bem, vários aeroportos no mundo não tem ranhuras para drenar água, e o procedimento é que a pista seja fechada caso a lâmina d'água tenha mais do que 3 milímetros de espessura. Pois bem, 20 minutos antes desse trágico acidente, uma equipe da INFRAERO vistoriou a pista, e verificou que não havia lâmina d'água na pista. Logo, não tinha água o bastante para fazer o avião patinar. Se tivesse o grooving, seria possível um avião pousar na pista principal de Congonhas com um dilúvio na cabeça, se fosse preciso.
  5. Falaram em defeito do avião, e relembraram a TAM do acidente do Fokker 100, em 1996 - Well, o Fokker 100 é um balde de parafusos, e vale lembrar que essa maldita lata velha teve muitos problemas ao longo do seu percurso (acidentado). Descanse em paz, e longe dos pilotos e passageiros do mundo todo. A TAM ainda mantém alguns voando em percursos curtos e regionais. Por exemplo, aqui vai uma lista de acidentes que ocorreram com o Fokker 100. No blog do Marcos Lacerda, vai uma lista mais caprichada dos problemas que esse caixão voador teve, com um pouco mais de detalhes. Aliás, vale lembrar, um Fokker 100 teve problemas hoje (19/7) em Congonhas... Quanto ao Airbus, aqui vai a lista (desatualizada) dos acidentes do A320. Há uma grande diferença nesse caso, que é que o A320 é feito por uma empresa responsável e que não faliu... E a tecnologia avançou muito, em 10 anos. Logo, acho difícil que seja falha mecânica.
  6. Descaso da TAM, não divulgaram a lista de passageiros, que só souberam por uma rádio gaúcha, no meio da madrugada - Tem uma norma da ANAC que determina que a lista de passageiros só deve ser divulgada depois de ser vista e revista (pois sempre alguém troca de avião), e inicialmente só para os familiares, para depois ir para a imprensa. Segundo fiquei sabendo, não foi através de uma rádio gaúcha, como erradamente noticiou a Bandeirantes, mas sim através de um funcionário da TAM, que leu a lista no hotel onde os familiares estavam hospedados, à 1h30m. Aliás, acho que a rádio até noticiou, mas foi depois do comunicado da TAM. E não tem essa de que o sistema é computadorizado, demoraram porque quiseram, porque acreditem, o maior interesse da empresa é atender os familiares. Não exatamente por serem bonzinhos, mas sim porque a imagem dela está em jogo. A TAM pegou o espaço da VARIG e hoje é a maior empresa de transporte aéreo do Brasil. Logo, eles também não querem queimar a própria imagem. Além de, é claro, eles serem seres humanos, e estarem (como nós) consternados e tristes com o fato ocorrido.

Logo, baseado nisso tudo, eu fico com a hipótese de falha humana. O que é estranho, visto que o A320 é todo computadorizado, o piloto controla os computadores, que controlam o avião... Na minha opinião, baseado em tudo que ouvi, vi e li, é que: O piloto pousou rápido demais, mas não conseguiu parar, e resolveu tentar arremeter, para uma nova investida. Só que ele não conseguiu. Por quê falo isso? Se ele tivesse derrapado, como muitos falaram, o avião teria caído na Av. Washington Luiz (que tem 2 lados, cada uma com 4 pistas), e não passado direto. O avião passou por um vão de 50 metros (pelo menos), antes de entrar no prédio da TAM Express. E só um carro foi afetado pelo avião: Um Corsa teve o teto levemente amassado. Para mim, o piloto não conseguiu arremeter. Além do mais, o aeroporto operou normalmente, com muitos (centenas) de vôos chegando e saindo ontem, e ninguém mais derrapou, bateu ou caiu.

Agora, alguns fatos:


  1. Congonhas não tem área de escape. Isso é assustador. Se um acidente igual ocorre no Galeão, em Cumbica, Santos Dumont ou em outros aeroportos, o piloto iria parar na grama (ou na água), e seria apenas um susto. Nesse link, achei uma lista de acidentes não-fatais e fatais em Congonhas, e dá para ver que Congonhas é um absurdo como aeroporto, assim como é o aeroporto de Hong Kong e alguns do Japão. Mas vocês pensam que é exclusividade nossa, de ter aeroportos encravados no meio das cidades? Nananinanão... Aliás, a última vez que pousei em Congonhas, fiquei assustado com os prédios que estavam perto do avião, as coberturas e suas piscinas, e o medo que senti era justificado: Estávamos muito perto dos prédios, e o aeroporto é no meio. A propósito, o aeroporto de Hong Kong é ainda mais assustador. Duvida? Clique aqui e se apavore.
  2. A primeira reforma em Congonhas foi feita agora. O aeroporto tem 50 anos de idade, e a primeira reforma foi agora! E nem terminaram a reforma... Faltou as ranhuras na pista principal, para facilitar a drenagem de água. Aliás, gastaram R$ 400 milhões em um terminal novo, e R$ 20 milhões na pista. Mesmo assim, só reformaram a pista DEPOIS de fazerem o terminal. Na imprensa, criticaram um bocado a situação da pista, e depois de muito custo, a reformaram. Mas não finalizaram a obra.
  3. A aviação brasileira vive um inferno astral. Inferno astral foi o termo mais simpático que eu consegui. Começou tudo com o acidente da Gol, que foi usado como gancho para mostrar a situação precária do Cindacta, e começou o que chamamos de caos aéreo. Quase 10 meses depois, e nada resolvido. O presidente exigiu data e hora para a solução, mas nada foi feito. E agora, outro acidente triste.
  4. Os governantes perderam grandes oportunidades de fecharem a matraca. A Ministra do Turismo foi falar do Programa Nacional de Turismo, mas falou a respeito da crise aérea: "Relaxa e goza". O Ministro do Planejamento disse que o caos aéreo "é uma coisa boa" - por causa do crescimento da economia (esse, incontestável). O Ministro da Defesa falou que "não existe caos aéreo" - e a mãe, vai bem? Lamentável.
  5. O avião pousou mais rápido do que deveria ter pousado. Segundo quem viu a fita, o avião pousou com velocidade maior do que a normal. Segundo essa breve entrevista colhida pelo PHA, 3 a 4 vezes mais rápido do que o normal. Então... Há um problema. Confira aqui o pouso do Airbus, e aqui uma simulação.
  6. Na CBN, forçaram a barra em alguns momentos. Embora a cobertura tenha sido mais completa do que a da Band News FM (com direito até a atropelar a Voz do Brasil para transmitir a entrevista dos representantes da ANAC e Infraero), houveram momentos desagradáveis. Um deles foi quando a repórter perguntou a um especialista sobre a existência do grooving, e da influência dele no pouso. O mesmo disse claramente que o grooving não influencia no aumento do atrito das rodas. A função do grooving é apenas a drenagem da pista, para espanto (audível) da repórter. O outro momento foi quando entrevistaram um dos responsáveis pelo setor de investigação de acidentes aéreos de Portugal, e nas três primeiras perguntas, forçaram a barra questionando "se o acidente vai arranhar a imagem da aviação brasileira", de formas diferentes. O português contornou e escapou pela tangente. Não aguentei a terceira pergunta, mudei de rádio antes do nojo tomar conta de mim.

Em tempo, criticaram que o presidente não foi falar sobre o acidente... Well, quem tem que se manifestar é a ANAC e a Infraero, não ele. Ele fez o que é certo da parte dele: Decretou luto oficial de 3 dias, e no Pan, todas as bandeiras foram hasteadas a meio-pau (não se pode somente a bandeira brasileira ficar a meio-pau e as outras não). Agora, curioso foi o governador de São Paulo, José Serra... Foi todo afoito falar a respeito do acidente. Engraçado, né? O aeroporto é jurisdição federal, mas ele se manifestou rapidamente. Agora o desabamento do Metrô (que é responsabilidade estadual), há pouco mais de 6 meses, ele não falou nada. E já tem gente da oposição dizendo que "a culpa é do Governo". A Folha de São Paulo (jornalzinho de m****) também já condenou o Governo. Ah, façam-me o favor, nem abriram as caixas-pretas e já declaram os culpados?

Bem, chega de falatório. Espero que isso aqui sirva para alguma coisa, além do meu desabafo, manifestação de dor e reflexões. Pelo menos uma eu tenho: Agora tenho dúvida se pegarei um avião que vá para Congonhas, ou que saia de lá...

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05 maio 2007

Filosofações breves: Marcha da maconha

Amanhã tem a Marcha da Maconha, onde pessoas irão se manifestar a favor da liberação do uso desse entorpecente. Até tudo bem, direito deles. Só que eles irão todos com máscaras, escondendo o rosto. Parece que o símbolo do acontecimento, aqui no Rio, é o Cristo Redentor com folhas da cannabis sativa nas mãos. O autor da idéia deu entrevista ao jornal Extra, mas fez questão de manter completo anonimato.

Agora eu me pergunto: Não seria isso uma ridicularização do protesto deles? Se os homossexuais fazem suas Paradas Gays, eles dão a cara ao tapa, estão lá e mostram para quem quiser ver quem eles são. Não tem vergonha do que fazem. E a turma pró-liberação da maconha, por que não fazem o mesmo? Por que não mostrar o rosto e dizer que são a favor da liberação da maconha? Estão com medo, vergonha, preocupações? Então nem vão para o protesto. Depois ficam reclamando que no jornal saiu uma matéria com o título: A Marcha dos Maconheiros. Eles mesmos não se assumem, e com isso colocam o movimento deles em descrédito. O protesto deles é lícito, por mais que eu ache a proposta absurda. Mas, se eles mesmos se escondem atrás de máscaras (como as do governador Sérgio Cabral Filho), eles em primeiro ridicularizaram o próprio protesto. Vai ser mais uma passeata que não leva a nada. Aliás, pode até levar, a uma larica daquelas...

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04 maio 2007

Filosofações: Libertad, pero no mucho

Eu não sou um assíduo freqüentador da dita blogosfera brasileira. Para ser exato, eu nem gosto da expressão. Acho esquisito, me soa estranho, por mais que, como matemático, simpatizo com o conceito da esfera... Mas, como vocês devem ter notado, eu fiz umas mudanças no blog, e elas dizem respeito ao Rec6, ao del.icio.us e ao BlogBlogs (que eu detalho num próximo post, mais à frente). Resolvi mexer no blog em alguns pontos, e na próxima filosofação cretina, eu escrevo sobre o que estou pensando a respeito...

Mas o assunto não é esse, o assunto é a história do Digg e a chave do HD-DVD. Eu nunca usei o Digg. Acho que entrei uma vez no site, só para ver. Mas não é porque eu "sou contra" esse tipo de site. Pelo contrário, se eu fosse contra, vocês não veriam o logotipo do Rec6 aí embaixo. É a pura falta de tempo. Eu não trabalho com a cara enfiada no computador, pelo menos boa parte do dia eu passo falando e gesticulando, passando conhecimento (?!) aos meus alunos. E adoro o que faço, não me vejo fazendo outra coisa (por mais que uma namorada tentou mudar, mas isso é papo para outro post).

Sempre achei a idéia ótima. Aliás, as idéias simples e práticas normalmente dão dinheiro: Um site de notícias em que os participantes cadastrados votam nas notícias, para que as mais importantes (segundo eles) estejam na primeira página. Isso é muito interessante, e tremendamente simples. Tudo o que estão falando hoje em dia, sobre Cauda Longa, crowdsourcing e buzzwords do tipo, se aplica a sites como esse. A sabedoria das multidões ataca novamente. E isso me faz lembrar de montes de coisas, que não vem ao caso agora. Voltemos ao Digg.

É óbvio que isso atrai gente interessada. Sites muito vistos atraem anunciantes. E os meninos do Digg são patrocinados, no seu videocast, o tal do DiggNation (o João Roberto Gandara, do PapoTech, adora. Logo, não deve ser grande coisa), por um monte de gente. Nesse embroglio de anunciantes, conta-se a HD-DVD Promotion Group, que, se eu entendi bem, é a associação que representa os interessados no bloqueio anti-cópia do HD-DVD.

Sábia lembrança do Sturaro, que sempre diz que "depois que tiram o gênio da garrafa, não dá mais para colocá-lo lá dentro novamente". Pois é, desenvolveram um código-fonte (em C) que desencripta um HD-DVD. Tudo bem, eu posso viver sem o HD-DVD ou o Blu-Ray, não vou ter uma TV LCD de 70 polegadas, nem em 2009, nem (acho eu) depois. Para mim, a qualidade de um DVD normal tá muito bom. Mas eu sou exceção, tem muita gente maníaca por novidades por aí, mesmo que não vá servir em nada para ela (ah, vai arrumar um cachorro para lavar, vai!).

Pois é, isso caiu no Digg. E o Digg censurou, já que eles são patrocinados por quem tem interesse em guardar segredo. Só que nunca se viu tanta votação para um item só. A coisa está a tal ponto que eu acho que os administradores do Digg vão ter que tirar o servidor do ar para remover todas as ocorrências da "chave maldita" (para eles), a 09 F9, 11 02, 9D 74, E3 5B, D8 41, 56 C5, 63 56 e 88 C0. E mais do que isso, temos uma revolta dos "Diggers" contra o povo do Digg, que executou um ato unilateral de censura. E logo na Internet...

Isso dá margem a várias discussões, do idealismo x pragmatismo, da liberdade (i)limitada, censura x necessidade, não se morde a mão que dá o pão, entre outras coisas. Dá para acrescentar a completa idiotice que são os DRMs, até o Bill Gates, que é protecionista ao extremo, já percebeu que isso é estupidez. Quem quiser copiar, vai continuar copiando, isso é tão óbvio quanto 2 + 2 = 4 (num sistema de numeração com base 5 ou maior, e que seja também e posicional). Combater a pirataria? Preços mais baixos, produtos mais interessantes, lucra-se menos individualmente para ganhar mais globalmente. Como disse um aluno para mim, outro dia: "Ah, professor, entre pagar 10 reais num CD pirata da Furacão 2000, e pagar 15 num original, eu pago mais caro pelo original! Pelo menos eu sei que não vai queimar o meu discman!". Não vamos levar em conta que funk queima qualquer meio de reprodução, independente da qualidade do aparelho...

Minha opinião? O povo do Digg agiu conforme a sua consciência mandou: Obedece-se a quem paga o salário. Sò que eles esqueceram que, nesse percurso de obediência, eles traíram o seu público. Na verdade, o que Kevin Rose (e o outro sujeito que fundou o Digg) não se tocaram, é que isso soou a muitos como um ato de traição. Eles são criadores de uma comunidade, e a atitude deles com certeza decepcionou muita gente. Até eu me decepcionei, e eu vivo sem o Digg. "Ah, mas eles recebem da AACS!" Sim, recebem. Mas você acha que censurar isso ajuda? Como sempre, executivos de gravadoras pensam com o alcance de um magistrado brasileiro: Fecha o YouTube, ops, censura a notícia. Só que agora piorou, popularizaram o código, o papo está correndo solto.

Agora é que todo mundo vai querer divulgar. Agora é que vai ter gente vendendo camisa com o código-fonte (como foi com o DeCSS - eu quase comprei uma!), cantando música cuja letra é a sequência, batizando filho com o "código mágico", praticando esteganografia para esconder na letra T de algum documento por aí. E por aí vai.

O que eles ganham com isso? Ficando do lado da AACS, eles perdem invejável credibilidade. Bom para os concorrentes do Digg, que devem ser agora algumas dezenas (estadunidenses sempre inflacionam tudo) O problema é que eles foram infiéis ao público deles, e isso irá queimar a imagem do site de uma forma inesquecível. Assim como Daniela Cicarelli está gravada na mente de muitos internautas como "aquela !@#$%*()! que mandou bloquear o YouTube", eles vão ter que arcar com as consequências dos seus atos, que não serão nada bons para eles.

E, falando em youtube, vale a pena colocar aqui a lista de vídeos em que o "código mágico" está sendo exibido, para que nunca esqueçam dele...

E continuemos em frente, dando mais um golpe nessa indústria decadente... Que venha o anarquismo no meio cultural. Quem sabe, a forma torna-se mais justa?

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01 maio 2007

Filosofações: 13 anos sem Ayrton Senna

Há tempos eu queria falar de automobilismo, mas não tinha tempo, ou oportunidade. Hoje fabriquei tempo, e a oportunidade é propícia. Então, vamos lá. Não lembro de ter contado por aqui, mas eu sempre gostei de automobilismo. Aliás, sempre gostei mais de automobilismo do que de futebol. Com certeza é influência do meu pai, que acompanha(va) a F-1 desde os tempos do Jim Clark, bicampeão de F-1 nos anos 60 e morto num acidente na (antiga) Fórmula-2. E como toda criança imita o pai, acabei tornando-me um relapso torcedor do Botafogo, mas fã de corridas de carros.

Cheguei a ir ao Autódromo de Jacarepaguá, que é perto da minha casa. Se lembro bem, eram os treinos para o GP Brasil de 1984. René Arnoux rodou na Curva Sul com uma Ferrari, e eu, garoto, na arquibancada A, arregalei os olhos. Nossa, aquilo era demais. Aquele barulho ensurdecedor...

Meu irmão, Fabio, gosta mais do que eu de corridas. Confesso que eu não tinha lá muita paciência para acompanhar mais de 60 voltas num circuito, ainda mais que as câmeras fecham nos primeiros lugares, e o que é divertido, a disputa do pelotão intermediário nunca passava. Logo o pelotão intermediário, onde vale dedo no olho e chute na canela?! Meu irmão, ao contrário, assiste até corrida de carros de rolimã. Vai toda hora ao Autódromo ver campeonatos de arrancada, Stock Car, o que tiver valendo. E lá ele está. Meu pai também. Eu, vejo e gosto, leio mas não sou vidrado.

Mas, em 1o de maio de 1994, morreu o Ayrton Senna. Ainda lembro do fato. Confesso que sempre gostei mais do Piquet, pelo seu jeito falastrão, seu toque carioca, sua língua mais afiada, pelas brincadeiras que ele fazia com o Mansell... Mas, apesar de alguns acharem o Senna insosso e incolor, simplesmente por falar menos e fazer mais, eu gostava também muito daquele sujeito narigudo, tímido e calado. Ainda lembro do Bussunda perguntando para ele: "Alguma namorada já te falou: 'Acelera, Ayrton?'". E o Senna pára, coça o queixo, vira o rosto e desfere no microfone: "Já". Piadas bem sacadas, antes do Pânico...

Ainda guardo na memória o Campeonato de Fórmula 1 de 1986, e como iria esquecer? Era Alain Prost, Piquet, Nigel Mansell e Senna disputando palmo a palmo! E o Ayrton tirando leite de pedra, naquela Lotus amarelinha, com patrocínio da Camel (já que a John Player Special deixou de patrocinar pouco tempo antes), e lutando contra as MacLaren e as Williams. Nossa, que campeonato divertido de se ver! Como poucas vezes vi um tão bom.

Dali ele foi para a MacLaren, e títulos em 1988 (tenho um poster dentro do armário, colado), 1990 e 1991. A garfada descarada de Jean-Marie Balestre, da FIA, o título roubado em favor do Prost, e tanta coisa... A ida para a Williams, a morte do Ratzenberger nos treinos de Ímola (e o Senna se levantando, pedindo mais segurança para os carros).... Aí veio o acidente, e a fatalidade. A morte que parou o Brasil. 250 mil pessoas acompanharam seu enterro. Se eu morasse em São Paulo, seria um deles. Passei 1 semana andando com uma faixa preta amarrada no braço direito. Estava eu no 7o período da faculdade, e um bocó que eu considerava amigo (na época), só sabia fazer comentários insossos e nada consoladores ao meu coração choroso, de brasileiro torcedor.

Não chorei a morte do Senna, como minha mãe. Mas me entristeci muito. Fiquei cabisbaixo duas semanas. Foi uma comoção nacional, tristeza de todos. Meu pai parou de ver Fórmula-1 desde então, e não viu o acidente. Fechou os olhos, virou a cara, fugiu da sala. Nunca viu como foi a batida na Tamburello que vitimou, aos 34 anos, Ayrton Senna da Silva.

O Ayrton tinha uma coisa engraçada... O Brasil acostumou-se a ter uma seleção campeã, uma "coletânea de ídolos", principalmente no futebol. Mas ele foi um ídolo individual. Todo brasileiro, então, ligava a TV no domingo de manhã e "convidava" o Ayrton a entrar na sua casa, para divertir-se e torcer por ele, correndo e botando aquela turma toda no bolso do macacão. Depois, tentaram fazer isso com o Guga, quando ele ganhou o torneio de Roland Garros, em 1998 (foi em 98? N tenho certeza), e agora estão tentando fazer com o Felipe Massa. Rubens Barrichello tentou puxar a torcida para ele, mas ele não é um grande piloto, apenas um ótimo piloto. Queimou-se feio, não só por ele, mas também por ser comparado ao Senna. Não tem jeito, muitos comparam-no ao Ayrton.

Muitos falam que, se não fosse a morte do Senna, o Schumacher não teria ganhado 7 campeonatos. O Senna ainda correria pelo menos mais uns 3, 4 anos, e provavelmente traria mais um ou dois títulos, batendo vários recordes. Maldita barra de direção remendada... O Brasil parou. Eu guardei a Veja que foi feita falando do acidente, e da vida do Senna. Todo o país sofreu a perda de um ídolo. Na Copa do Mundo, 2 meses depois, na final, uma faixa estendida pelos jogadores: "Senna, esse tetra é nosso!". Ou algo assim do tipo. Quem viu, lembra.

Outros dizem que, se o Schumacher corresse contra Prost, Mansell, Piquet, Lauda e tantas outras cobras criadas, que o Senna pegou pela frente, ele não teria feio 10% do que ele fez na F-1. Não sei se assim seria, mas uma coisa é certa: Se o alemão tentasse dar um toque no Mansell, seria respondido pelo inglês bronco com um arremesso de tomate tifosi na caixa de brita.

Meu pai resolveu voltar a ver F-1 agora, em 2007, com a saída do Schumacher, e a ascensão do Felipe Massa. Se você percebeu, ele não gosta do alemão com queixo de bidê. Aliás, ele odeia. Com todas as forças. Não acho impossível ele jogar a culpa na morte do Senna nas costas do Schumacher, por mais absurdo que isso seja. Mas isso não importa mais. A F-1 perdeu boa parte do brilho com a morte do Senna, que, se hoje vivo, teria 47 anos, muitos cabelos brancos e muita história para contar. Talvez estivesse correndo em alguma categoria, como turismo, ou protótipos, para se divertir, assim como o Piquet anda fazendo.

Eu? Bem, eu estou ouvindo agora dois podcasts sobre automobilismo, o Buteco Racing, e o Radio Box. Ambos são ótimos, interessantísssimos, e tem sido responsáveis por despertar meu interesse novamente "nos carrinhos que correm em círculos, e não chegam a lugar nenhum".

"Ayrton Senna da Silva

* 21.03.1960

+ 01.05.1994

Nada pode me separar do amor de Deus"

Hoje, o túmulo do Senna virou ponto turístico em São Paulo. Seu sobrinho, Bruno Senna, 24 anos, está disputando a GP2, categoria de monopostos que substituiu a Fórmula-3000 e a Fórmula-2. Talvez ele chegue na F-1 em 2008, vamos ver. "Os cães ladram, e a caravana passa", assim dizia Ibrahim Sued. Mas que saudade, que essa caravana deixa...



E desculpe, pessoal do F1 Tales, mas ainda lembro desse final de semana negro, e ainda dá uma ponta de tristeza. Então, não reclamem da minha lamúria, tá?

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16 março 2007

Filosofações rápidas

Muita coisa eu queria ter falado no momento apropriado, mas não consegui, por falta de tempo. Tá, postar num blog não é a prioridade -20. Mas, vez por outra, eu faço um nice, e saio escrevendo. Bem...

Sobre a morte trágica daquele menino, que já foi mais do que explanado pela mídia... Essa está engasgada na garganta tem um mês. O percurso que aqueles... Seres vivos fizeram, dirigindo aquele carro, é parte do meu percurso quase diário, na volta do trabalho. Naquela quarta-feira, eu saí do trabalho cedo. Mas, se eu tivesse me demorado, e saído na hora em que eu já tinha saído antes... Eu teria visto o incidente. E acho que hoje o meu carro estaria na oficina, pois eu jogaria em cima daquele carro usado como instrumento de morte, com o objetivo de pará-lo. E a tranca do volante estaria suja de sangue, com certeza. A justiça dos homens é assim, e mesmo eu, que repenso muitas coisas, me conteria.

Aliás, reduzir a maioridade penal resolve? Eu não tenho certeza. Antes eu era convicto que não. Mas depois de ter ouvido uma pessoa dizer: "Se eles são capazes de votar, são capazes de serem responsabilizados pelos seus atos". Faz muito sentido tal afirmação. Mas o risco é de termos que ter, daqui a pouco maternidades de segurança máxima (como disse apropriadamente o José Simão, um dia desses, na Band News FM). Não sei se resolve. Mas algo imediato tem que acontecer.

E o que é necessário acontecer, não é aquele bando de passeatas pela paz que inundam a orla do Rio, com vários "classe A" saindo de branco pelo calçadão, "pedindo paz". Como se isso fosse surtir algum efeito, além da curiosidade mórbida de muitos pobres que vão curtir a praia, enquanto vêem madames cheias de jóias, com camisetas brancas, desfilando com poodles brancos, pedindo paz... Mais uma atitude vazia. Doações para a Campanha do Natal Sem Fome não deveriam aplacar a consciência. Isto é, se elas tem uma.

Aliás, atitude vazia mais marcante na minha história pessoal foi acompanhar (de longe, eu não sou besta) a palhaçada que foi o movimento dos cara-pintadas, em 1992. Cansei de ouvir depoimentos apaixonados de tolos achando que aquele ato de pintar o rosto (que, aliás, eu fazia nos calouros da UFRJ, naquele ano) e sair às ruas (nem bem sabendo o porquê) serviu para derrubar um presidente corrupto. Ah, eu tinha mais o que fazer... Movimento esdrúxulo, que só serviu para colocar esses dois cidadãos como políticos, logo depois de terem sido presidentes da UNE - União Nacional dos Estudantes...

E, falando em protestos... E o que foi aquela balbúrdia toda com o Bush semana passada, hein?! Nossa, como tem gente querendo aparecer. Sim, foi uma chateação para os paulistanos a recepção do Bush Jr em São Paulo, mas acho que, também, todo mundo está anti-EUA demais, calma povo... Eu tenho um amigo que treme só de ouvir o nome George W. Bush. Que acha que tudo que vem "daquele país, lá na América do Norte" (parafraseando o músico Dave Matthews no Rock in Rio 3) é ruim. Que vociferou pragas contra todos os seres viventes habitantes daquele retângulo de terra em cima do México e embaixo do Canadá, quando o Bush Jr foi reeleito. Ele chega ao cúmulo de fazer campanha com a irmã (mãe solteira) para não deixar o sobrinho (que ele cuida como se fosse um filho) ir nunca no McDonald's. Imagino o que ele estaria dizendo agora, tentando dar o braço ao Hugo Chavez e gritar Fora Bush.

Atitude ridícula. Queimar bandeiras estadunidenses, isso eu já cansei de ver, da Coréia do Norte à África Ocidental, da Europa ao Sudeste Asiático. Nada de novo. Até uma mulher saiu nua na rua, protestando contra a permanência do presidente estadunidense no Brasil (depois a mesma dita apareceu lá no Pânico). E qual é o objetivo de fazer todo esse protesto, além de causar mais tumulto? Não sei bem a utilidade desses protestos, se alguém souber me conte. Talvez isso me refresque a memória das manifestações dos estudantes na Coréia do Sul, em meados dos anos 1980, onde eles lutavam contra um governo. Não lembro se surtiu efeito.

Aliás (estou usando muito aliás hoje), o engraçado é ver como que falar mal dos EUA hoje em dia é lugar-comum. Já ficou cansativo, ouvir críticas à Globo, Estados Unidos, Governo Lula... Só sabem meter o pau. Pelo visto Che Guevara voltou à moda, apenas como um símbolo oco de rebeldia contra o "sistema", mesmo que ninguém da família dele ganhe algo a título de direito de imagem... Gente que agora, por qualquer motivo, declara que os EUA são a pior coisa que já existiu debaixo do sol, e que deveria tudo ser destruído... E se você não bater palmas com eles, você é um americanizado. O último que disse isso eu mandei se retirar da minha frente, pois eu iria agredí-lo. Caramba, CHEGA!

Nunca morri de amores pela Vênus Platinada, o povo estadunidense ou o governo dos companheiros. Há de se reconhecer coisas boas neles, assim como eu sou obrigado a reconhecer que o sistema operacional mal-feito e tosco da Microsoft popularizou a informática (não sei bem se, como micreiro egresso dos anos 1980, gosto disso) e alavancou muita coisa. Sim, eles tem valor, e tem relevância na sociedade. Muita relevância, eu diria. A Globo popularizou a TV no Brasil, o Governo Lula tem sido um dos que mais tem pensado nos pobres (talvez por isso que a classe A de São Paulo fez campanha pelo Alckmin), e os EUA tem sido a locomotiva econômica do mundo. Mas talvez eles não tenham tanto quanto acham que tem (incluindo a Microsoft, e talvez colocando o Lula de fora), mas estão cada vez menos influentes. Acho bom que eles vejam que não são mais tão poderosos, aliás, acho ótimo.

Hugo Chavez tem o seu papel, de ser presidente de um dos maiores produtores de petróleo. Até aí, tudo bem. Mas agora ele acha que manda. O que ele está fazendo, o discurso dele ("Socialismo ou morte") é quase infantil, que me desculpem quem gosta. Se eu fosse executov de uma multinacional, não iria investir hoje na Venezuela, Bolívia ou Equador. Afinal, para quê eu iria investir, se eu correria o risco de ter as minhas propriedades encampadas pelo governo proto-socialista que está lá? Eu iria investir no Chile, ou no Brasil. Sabiamente o Brasil está se distanciando (um pouco) desse papo todo. Afinal, queremos dinheiro, investimento e empregos para o povo. A Venezuela se baseia no petróleo, tudo lá gira em torno do óleo negro. Mas estão dormindo no ponto, a estatal venezuelana investe menos de um terço em pesquisa e desenvolvimento que a Petrobrás investe. Sendo que lá eles tem mais petróleo do que aqui.



Enquanto isso, a imprensa paulistana expõe as tripas da minha amada Cidade Maravilhosa no ar, cheias ainda de sangue, e esconde as atrocidades que acontecem debaixo dos seus olhos, com o objetivo de denegrir e sujar o que tem de bom nessa cidade cada vez mais maravilhosa. E que me desculpem, deixa eu fazer uma declaração de amor: Rio, amo você. Ô cidadezinha linda, que resiste a todas essas investidas e ataques, e mesmo assim, com todo mundo dizendo que o turismo no Rio morreu... Tivemos lotação máxima de hotéis no carnaval. E, apesar do prefeito maluquinho só pensar no Pan, ainda é uma cidade linda. Largada, desprezada, violenta (como qualquer cidade grande)... Mas linda. Onde os bandidos são mais pirotécnicos dos que os bandidos dos outros, como disse certa vez um amigo. Onde pratica-se esporte dentro de um cartão-postal (como diz a propaganda). Onde há muita coisa triste e ruim, mas também há muita coisa bonita. Rio, amo você, e é aqui que eu quero viver o resto da minha vida.



Já que eu citei o picolé de chuchu, vale lembrar do que ouvi de um amigo, comentando sobre o egoísmo e o bairrismo exacerbado que vemos naquela terra na qual o Alckmin foi governador. Por ocasião do racionamento de 2001, poucos apagaram mais as luzes, e que se dane o resto. Você vinha de ônibus do Rio para São Paulo, e via o contraste: O Rio, quase todo apagado. São Paulo toda acesa. Teve um que comentou que São Paulo tinha que pedir a independência do Brasil... Dá náuseas ouvir isso. Já presenciei de vários moradores daquele canto poluído do nosso país, um discurso que seria ridículo se não fosse sério. Aí, sendo sério, torna-se perigoso. Claro, não é via de regra, nem todos pensam assim. Graças a Deus os meus amigos que moram lá não pensam desse jeito. Mas é triste pensar que alguns se colocam acima de outros, isso a nível de estado. Profundamente lamentável.

Bem, acho que por hoje está bom. Filosofei um bocado, depois continuo um pouco mais. Ou não.



PS: Hoje no Pânico... Luiz Carlos Alborghetti. Imaginem isso. Lembram dele? Dali é que o Ratinho se inspirou. E viva o streaming, e viva o mencoder, eu gravei para depois ver, e rir também.

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25 janeiro 2007

Breves filosofações

  1. Por que só dono de carro velho é que coloca adesivo do tipo "A força da sua inveja é a velocidade do meu sucesso", e "A inveja é uma m****"? Sinceramente, alguém vai invejar aquele "veículo automotor"? Se a aceleração do cara (segundo a 2a Lei de Newton, F=m . a) é baseada na inveja, acho que o melhor valor que ele obterá para a é igual a 9,8m/s2 (a aceleração da gravidade).
  2. Por que existem pessoas que colocam adesivos no carro como "Eu amo minha filha", "Eu amo minha esposa", inclusive alguns fazem e entram em comunidades no Orkut como "Eu amo minha irmã"? Na boa, não fez mais do que sua obrigação. Afinal, amar filho, filha, esposa, esposo, pai, mãe... É o esperado de qualquer pessoa normal.
  3. Por que calça a gente bota, e bota a gente calça? Tá, essa foi fraca...
  4. Não, não tem 4.

E chega de filosofações baratas e breves.

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01 janeiro 2007

Sobre a Globo e a minha família

Bater na "Vênus Platinada" é que nem falar mal do governo Lula e da Micro$oft: virou lugar comum. O engraçado é que os meus pais hoje são os mais anti-Globo que eu já vi. É difícil verem algum mérito na programação da Globo (mesmo porque não há muitos), e não sei nem porque ainda assistem ao Jornal Nacional, já que eles passam boa parte do noticiário criticando o que lá se passa. O principal alvo de comparação é com o (bom) noticiário de outra emissora, o Jornal da Band, reconhecidamente a emissora mais bairrista entre as paulistanas... O noticiário é bom, o apresentador é carioca, eles usam Linux... Mas é a mais bairrista, disso não há dúvida. Ás vezes eles me lembram os maridos traídos, que tudo que a ex-esposa faz, ou é ruim, ou é feio, ou é ilegal...

Agora, tem essa história da parcialidade das eleições no noticiário, Vale citar a origem da notícia, na Agência Carta Maior. E ainda a (ex-)governadora Rosinha ataca a Rede Globo em discurso na Assembléia, falando inclusive de dinheiro (US$ 100 milhões) nas Bahamas, paraíso fiscal conhecido, com direito a uma agência do Banerj. A CartaCapital denunciou isso tudo uns 2 meses antes... E não é que eles continuam dizendo que a Globo apóia o Lula? Ao contrário das denúncias, de tudo que aponta a manipulação clara do escândalo das sanguessugas (evitando citar o PSDB) e do caso do dossiê (recebi um email que diz que os representantes do PSDB e da Rede Globo estavam na delegacia esperando o dossiê chegar), dizendo que ela atira para os dois lados, etc...

Não precisa ser simpatizante do Lula para ver que a coisa foi manipulada. Os escândalos só batem no PT. E no PSDB? E o Eduardo Azeredo, que é presidente do PSDB e recebeu (segundo a CPMI do Mensalão) dinheiro do Valerioduto? O caso do PT é grave, mas do PSDB também é. Afinal, é o presidente do partido! A história que o Paulo Henrique Amorim denunciou, da eleição de 1982, para eles não tem lá muita validade porque eles não gostam do Brizola. Ora pombas, se o cara foi eleito legitimamente, ele tem que tomar posse! Mas não, simplesmente a questão vai pelo emocional, pelo "gostar" ou "não gostar"... Valha-me Deus...

Afinal, nesse contexto, o que é realmente a verdade? Manipulação do PT + Globo? Globo + PSDB para atirar no PT? Tem gente se fazendo de coitadinho e não é, é isso? Só sei que a revista VEJA e a Globo não são flor que se cheirem. Fedem mais do que exalam perfume. Só acho que a velha mania de fechar a situação entre dois pólos é ridícula, e é preciso mais análise e calma para avaliar, não simplesmente dizendo "(...) que esse governo desse sapo barbudo é uma porcaria" (o que é um desrespeito ao cargo que o Lula ocupa), simplesmente porque não gosta dele, e tudo que ele faz é ruim, não importa o que o homem faça.

Ou seja, ser imparcial é algo realmente difícil.

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08 dezembro 2006

Filosofações: Sobre manteiga e justiça

Estão fazendo uma celeuma danada sobre a empregada doméstica que foi presa por roubar manteiga para matar a fome do filho. Resolvi me informar sobre o caso, pois muita injustiça ocorre nesse nosso Brasil...

Vale a pena relatar duas injustiças recentes que ocorreram por aqui. A primeira foi bem recente: Uma mãe foi acusada de matar filha com mamadeira de cocaína. A suspeita foi presa, e levou uma surra daquelas dentro da carceragem feminina. Foi solta, mas voltou à prisão. Agora foi provado que a mamadeira do bebê morto não tinha cocaína, diz laudo da perícia. A mãe, aos prantos, chorava na televisão, dizendo que ela não era louca, de matar a própria filha. Nem a própria família dela acreditava na culpa dela. Bem, parece que ela sofreu uma injustiça, e daquelas. Agora, o que matou a criança? Não sabemos. A minha revolta faz eco com o que eu vejo nesse link aqui, no Yahoo!. A pobre coitada está em depressão, teve perda de visão, tomou uma "surra de gato morto", xingada e difamada por todo o país... E agora, se ela for realmente inocente, é simplesmente um Foi mal? Muitos criticam a imprensa, a ação dela, a necessidade de fontes seguras... Mas isso não vende jornal, né? Eu critico isso depois.

A última, mais antiga, dá pena de lembrar: Lembram do casal dono de uma escola em São Paulo, acusados de pedofilia? Uma criança falou um monte de coisas, dizendo que tinham sido molestadas sexualmente. A escola foi apedrejada, o casal foi difamado, sua vida foi destruída. E depois, foi provado que era tudo mentira. E agora... Foi mal?

Fui olhar a situação, tentando ser frio (bem a lá freakonomics). Bem, começando...


  • Manteiga não mata fome de ninguém. O que mata a fome é pão, é comida. Criança come pão puro quando está com fome (eu já comi várias vezes, quando criança), mas manteiga é o complemento, o acessório. Lembro de um episódio dos Simpsons quando a Lisa conversa com o Reverendo Lovejoy (o R. R. Soares estadunidense), conversando sobre uma pessoa que roubou um pão, e se isso era pecado. O Reverendo respondeu: "Não. Mas só se for sem geléia". Não sei exatamente a fala, mas era algo assim. E eu fico pensando... É, faz sentido. O pão era uma necessidade, o pão com geléia (ou margarina, ou manteiga, ou o que for) era um requinte.
  • Sejamos francos: Seria o dono do mercadinho uma pessoa com um coração tão duro, que negaria um pão para uma jovem que queria matar a fome do seu filho e da sua mãe doente? Eu duvido, por mais que tenha muita gente safada em várias profissões - incluindo comerciantes - eu duvido muito. Ainda mais sendo moradora da região, e como todo "bom" comerciante está presente no seu negócio (o olho do dono é que engorda o boi), ele conhecia a moça de vista.
  • O próprio comerciante falou que:

    1. A moça andava com uma turma da pesada, que já tinha assaltado vários comércios pela região, incluindo esse mercado onde ela foi detida. Tinha fama de baderneira.
    2. Quem sustentava a criança era a mãe dela, que estava doente por ocasião do delito, e que a mãe é que era empregada doméstica.
    3. A moça, tão pobre e indefesa, já tinha ameaçado ele de morte outras vezes, em companhia da turma dela.


Se coloque no lugar do comerciante: Você não faria o mesmo, denunciaria e pediria ajuda?

Segundo essa matéria do Estadão, 1/3 das presas no Cadeião de Pinheiros, em São Paulo, estão detidas por pequenos delitos. Bem, eu acho que está certo, roubou, tem que ser preso, e a lei deve ser cumprida. Mas antes de vocês me queimarem em praça pública, deixa eu finalizar o meu pensamento.

Delitos pequenos requerem penas pequenas. Delitos grandes requerem penas grandes. Se roubou uma maçã na quitanda, ou US$ 100 milhões da Previdência Social, é roubo, e deve ser punido. Claro, quem roubou uma maçã deve ter uma pena leve, curta, que seja educativa. Quem lesou os cofres públicos tem que devolver o que roubou e sofrer uma pena muito maior. E é claro, a sensibilidade do juiz é fundamental.

No tempo de Jesus Cristo, os fariseus eram o "partido político" dominante. Eles eram por demais zelosos pela Lei mosaica (isto é, dada por Moisés ao povo hebreu), e tinham tantos rituais e regras, que acabavam atrapalhando mais do que ajudando. Jesus sempre enfatizou que a lei foi feita para o homem, e não o homem se amoldar à lei. Os fariseus amavam mais a lei de Deus do que o Deus da lei. E por isso tantas distorções, como aquela passagem que Jesus cura um homem com uma mão atrofiada, e a crítica dos fariseus era que não era lícito curar num sábado. Ora pombas, o homem foi curado! Por quê se prender a essa filigrana, essa "perfumaria"? E várias, e várias, e várias passagens estão por aí, como os discípulos que cataram espigas de milho caídas no chão e comeram (ao atravessar um milharal), e tanta outras. Se ler os Evangelhos, lá tem vários desses momentos.

Voltando ao caso: O juiz deve ser sensível à situação. Será que o juiz não tem coração, negando 5 vezes o pedido de liberdade dela? Ou será que ele é um fariseu, pura e simplesmente, dizendo a todo tempo: "a lei tem que ser cumprida". Porque se for assim, todos nós, cidadãos de bem deveríamos passar pelo menos uns 2 anos na cadeia, por conta de todos os pequenos delitos que cometemos. Muitos de nós furtaram um doce num supermercado. Todos que dirigem já avançaram algum sinal (muitos continuam avançando todos). Muitos (senão todos) pirateiam programas de computador, compram CDs piratas e DVDs de qualidade duvidosa com o camelô da esquina (aqui perto já tem Os Infiltrados, do Scorcese). Todos nós já cometeram pequenas faltas, delitos e contravenções, que se fossem levadas ao pé da letra da lei, deveríamos ser presos e cumprir pena. Nós todos, inclusive os juízes.

Sei lá, eu acho que por baixo dessa história tem mais coisa, ser presa única e simplesmente por causa de um pote de manteiga... Que me desculpem quem está fazendo papel de grupo de defesa dos direitos humanos, que só aparecem pelo lado do bandido e do ladrão, mas eu acho que aí tem coisa.



E vale pelo menos a leitura dessa entrevista aqui, o jornaleiro que agora não vende mais a revista Veja. Gostei.

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